Mato Grosso registrou 241 mulheres vítimas de tentativa de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 40,94% em comparação com o ano anterior, quando foram contabilizadas 171 vítimas. Foram 70 registros a mais em um ano, o equivalente a aproximadamente 20 mulheres por mês.
O crescimento foi o maior entre os estados que apresentaram dados comparáveis de 2024 e 2025. Logo depois, aparece o Maranhão, onde o número de vítimas passou de 107 para 150, alta de 40,19%. Os dados constam no Mapa da Segurança Pública 2026, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Tentativas de feminicídio por estado em 2025
Mato Grosso registrou a segunda maior taxa do país, com 12,46 vítimas para cada grupo de 100 mil mulheres.
Casos em Mato Grosso 241
Crescimento anual 40,94%
Posição nacional 2ª maior taxa
| Posição | Estado | 2024 | 2025 | Variação | Taxa em 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Amapá | 54 | 60 | +11,11% | 14,88 |
| 2º | Mato Grosso Destaque | 171 | 241 | +40,94% | 12,46 |
| 3º | Acre | 52 | 49 | −5,77% | 11,12 |
| 4º | Roraima | 27 | 31 | +14,81% | 8,53 |
| 5º | Distrito Federal | 104 | 133 | +27,88% | 8,49 |
| 6º | Tocantins | 65 | 57 | −12,31% | 7,23 |
| 7º | Rondônia | 58 | 56 | −3,45% | 6,43 |
| 8º | Goiás | 175 | 204 | +16,57% | 5,43 |
| 9º | Santa Catarina | 211 | 222 | +5,21% | 5,37 |
| 10º | Sergipe | 68 | 63 | −7,35% | 5,28 |
| 11º | Amazonas | 98 | 108 | +10,20% | 5,02 |
| 12º | Pará | 215 | 207 | −3,72% | 4,77 |
| 13º | Rio Grande do Sul | 236 | 262 | +11,02% | 4,53 |
| 14º | Piauí | 85 | 74 | −12,94% | 4,28 |
| 15º | Rio Grande do Norte | 68 | 75 | +10,29% | 4,23 |
| 16º | Maranhão | 107 | 150 | +40,19% | 4,21 |
| 17º | Mato Grosso do Sul | Não informado | 59 | — | 4,00 |
| 18º | Alagoas | 68 | 66 | −2,94% | 3,96 |
| 19º | Bahia | 250 | 255 | +2,00% | 3,33 |
| 20º | São Paulo | 638 | 751 | +17,71% | 3,16 |
| 21º | Espírito Santo | 60 | 66 | +10,00% | 3,13 |
| 22º | Pernambuco | 154 | 150 | −2,60% | 3,02 |
| 23º | Paraná | 113 | 147 | +30,09% | 2,42 |
| 24º | Minas Gerais | 248 | 207 | −16,53% | 1,90 |
| 25º | Ceará | 75 | 86 | +14,67% | 1,80 |
| 26º | Paraíba | 36 | 34 | −5,56% | 1,58 |
| — | Rio de Janeiro | Não informado | Dados incompletos | — | — |
| — | Brasil | 3.436 | 3.813 | +10,97% | 3,49 |
Fonte: Mapa da Segurança Pública 2026, Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Além da alta no número de vítimas, Mato Grosso apresentou a segunda maior taxa de tentativas de feminicídio do Brasil, com 12,46 vítimas para cada grupo de 100 mil mulheres. O estado ficou atrás apenas do Amapá, que teve índice de 14,88.
Na sequência aparecem Acre, com taxa de 11,12; Roraima, com 8,53; e Distrito Federal, com 8,49. A média nacional foi de 3,49 vítimas por 100 mil mulheres, o que significa que o índice de Mato Grosso foi mais de três vezes superior ao registrado no país.
Feminicídios também aumentaram
Os feminicídios também cresceram em Mato Grosso. O número de mulheres assassinadas passou de 47 em 2024 para 53 em 2025, aumento de 12,77%.
Com 2,74 feminicídios por 100 mil mulheres, Mato Grosso teve a terceira maior taxa do país, atrás apenas do Acre, com 3,18, e de Rondônia, com 2,87. A média brasileira foi de 1,42 morte por 100 mil mulheres.
No Brasil, foram registrados 1.548 feminicídios em 2025, alta de 3,61% em relação às 1.494 vítimas do ano anterior. Os dados utilizados pelo Ministério da Justiça foram enviados pelos estados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), extraídos em 25 de fevereiro de 2026 e ainda podem passar por revisões.

Daiany Rodrigues de Souza
33 anos, assassinada a facadas pelo companheiro em um bar, em Confresa.

Olga Beatriz Santos da Silva
12 anos, encontrada morta dentro da casa do pai, em Várzea Grande.

Suely Freitas dos Reis
23 anos, encontrada morta com sinais de violência em Poxoréu.

Josivany Borges de Amorim Rodrigues
45 anos, encontrada morta carbonizada em Várzea Grande.

Clara Vitória da Silva
23 anos, encontrada morta em casa, em Tangará da Serra.

Laila Caroline Souza da Conceição
29 anos, morta dentro de casa, em Nova Maringá.

Ana Paula Lima Carvalho
Morta pelo ex-genro, em Chapada dos Guimarães.

Regiane Oliveira Lima
38 anos, encontrada morta em uma região de garimpo, em Pontes e Lacerda.

Jaqueline de Araujo dos Santos
40 anos, morta pelo marido, em Lucas do Rio Verde.

Lucieni Naves Correia
51 anos, morta pelo ex-marido dentro de casa, em Cuiabá.

Gabia Socorro da Silva
Morta em São José do Xingu.

Estefane Pereira Soares
Encontrada morta em um córrego, em Cuiabá.

Simone da Silva Matiuzi
Morreu após ser encontrada ferida, em Vila Bela da Santíssima Trindade.

Nathaly Gonçalves dos Santos
19 anos, atropelada e morta, em Itaúba.

Luiza Regina Oliveira Zanoni
Morta em Rondonópolis.

Mariana Bittencourt Santana
19 anos, morta pelo ex-companheiro, em Porto dos Gaúchos.

Márcia Gaston da Silva
50 anos, assassinada em Brasnorte; marido é o suspeito do crime.

Raissa Pereira da Silva
24 anos, morta em Sinop.

Júlia Vitória do Prado da Silva
20 anos, encontrada morta em Tapurah.

Nilza Moura de Sousa Antunes
Encontrada morta no quintal de casa, em Cuiabá.

Elzilene Alves do Nascimento
Encontrada morta em um córrego, em Várzea Grande.

Valéria Araújo Corrêa
Encontrada morta em uma quitinete, em Tangará da Serra.
Feminicídios em MT
Apenas em 2026 já foram registrados 26 feminicídios em Mato Grosso. Com o novo caso, o estado registra o terceiro maior número de assassinatos de mulheres por razões de gênero no primeiro semestre desde o início da série histórica do Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público Estadual (MPE), com dados da Polícia Civil.
Apesar de ainda estar abaixo dos 28 casos contabilizados no mesmo período de 2025, quando o estado viveu o pior primeiro semestre da série, o número deste ano supera os registros de 2024 e 2023, que terminaram junho com 19 feminicídios cada.
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