MT registra 26º feminicídio em 2026; número é o terceiro maior dos últimos 7 anos

O assassinato de Daiany Rodrigues de Souza, de 34 anos, ocorrido no último sábado (4), em Confresa (MT), elevou para 26 o número de mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2026. Com o novo caso, o estado registra o terceiro maior número de assassinatos de mulheres por razões de gênero no primeiro semestre desde o início da série histórica do Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público Estadual (MPE), com dados da Polícia Civil.

Mato Grosso fechou o primeiro semestre de 2026 com 25 feminicídios registrados até junho. – Foto: Montagem/Primeira Página

Apesar de ainda estar abaixo dos 28 casos contabilizados no mesmo período de 2025, quando o estado viveu o pior primeiro semestre da série, o número deste ano supera os registros de 2024 e 2023, que terminaram junho com 19 feminicídios cada.

Daiany foi morta após ser perseguida e esfaqueada pelo companheiro, José da Cruz Evangelista, de 63 anos, poucas horas depois de uma discussão em um bar. A vítima morreu ainda no local antes da chegada do socorro. O suspeito fugiu após o crime, mas se apresentou na Polícia Civil acompanhado de um advogado horas depois do crime e acabou preso.

Segundo as investigações, o casal mantinha um relacionamento desde janeiro deste ano. Durante depoimento, José afirmou que o crime teria sido motivado por uma transferência bancária de R$ 1 mil que identificou de sua conta para a conta da vítima.

As investigações também revelaram que Daiany já havia denunciado o companheiro por ameaça no início do relacionamento e possuía uma medida protetiva concedida pela Justiça. Apesar disso, os dois retomaram o relacionamento.

Em um vídeo, publicado antes do crime ocorrer, o suspeito já havia confessado que tinha intenção de matar a mulher. No registro, gravado pela própria vítima, o homem afirma ainda que tiraria a própria vida após o crime.

dayane vitima de feminicidio
Nas redes sociais, a família de Dayane lamentou o caso de feminicídio em Confresa. – Foto: Reprodução

Dados reforçam cenário de violência

Levantamento do Observatório Caliandra mostra que Mato Grosso fechou o primeiro semestre de 2026 com 25 feminicídios registrados até junho. Com a morte de Daiany, ocorrida já em julho, o estado chega ao 26º caso do ano.

O levantamento também aponta que o crime de Confresa confirma um padrão: o sábado permanece como o segundo dia da semana com maior incidência de feminicídios em Mato Grosso, ficando atrás apenas do domingo.

Daiany também integra a faixa etária mais atingida por esse tipo de crime em Mato Grosso. Conforme o Observatório Caliandra, mulheres entre 30 e 34 anos concentram o maior número de vítimas de feminicídio no estado.

Além da perda das vítimas, a violência deixa impactos permanentes nas famílias. Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso já contabilizou 32 órfãos em decorrência dos feminicídios.

Ranking de feminicídios no primeiro semestre (2019–2026):

Feminicídios: Ranking por Ano (1º Semestre)

2019 / 2023 / 202419 casos

Fonte: Observatório Caliandra (MPMT)

Companheiros são os principais autores

Os dados apontam que os companheiros foram os principais autores dos feminicídios registrados em 2026. Em 11 casos, a vítima mantinha relacionamento com o agressor. Também foram registrados crimes cometidos por familiares (3), ex-companheiros (4), namorados (2) e pessoas sem vínculo com a vítima (5).

Outro dado que chama atenção é que apenas duas vítima possuíam medida protetiva contra o agressor. Até junho, em 24 casos, não havia medida judicial em vigor.

As armas cortantes ou perfurantes foram utilizadas em quase metade dos feminicídios registrados neste ano. Foram 12 ocorrências desse tipo.

Conheça algumas das vítimas:

Casos registrados nos últimos 30 dias

Daiany Rodrigues de Souza

Daiany Rodrigues de Souza

33 anos, assassinada a facadas pelo companheiro em um bar, em Confresa.

Olga Beatriz Santos da Silva

Olga Beatriz Santos da Silva

12 anos, encontrada morta dentro da casa do pai, em Várzea Grande.

Suely Freitas dos Reis

Suely Freitas dos Reis

23 anos, encontrada morta com sinais de violência em Poxoréu.

Outras vítimas

Josivany Borges de Amorim Rodrigues

Josivany Borges de Amorim Rodrigues

45 anos, encontrada morta carbonizada em Várzea Grande.

Clara Vitória da Silva

Clara Vitória da Silva

23 anos, encontrada morta em casa, em Tangará da Serra.

Laila Caroline Souza da Conceição

Laila Caroline Souza da Conceição

29 anos, morta dentro de casa, em Nova Maringá.

Ana Paula Lima Carvalho

Ana Paula Lima Carvalho

Morta pelo ex-genro, em Chapada dos Guimarães.

Regiane Oliveira Lima

Regiane Oliveira Lima

38 anos, encontrada morta em uma região de garimpo, em Pontes e Lacerda.

Jaqueline de Araujo dos Santos

Jaqueline de Araujo dos Santos

40 anos, morta pelo marido, em Lucas do Rio Verde.

Lucieni Naves Correia

Lucieni Naves Correia

51 anos, morta pelo ex-marido dentro de casa, em Cuiabá.

Gabia Socorro da Silva

Gabia Socorro da Silva

Morta em São José do Xingu.

Estefane Pereira Soares

Estefane Pereira Soares

Encontrada morta em um córrego, em Cuiabá.

Simone da Silva Matiuzi

Simone da Silva Matiuzi

Morreu após ser encontrada ferida, em Vila Bela da Santíssima Trindade.

Nathaly Gonçalves dos Santos

Nathaly Gonçalves dos Santos

19 anos, atropelada e morta, em Itaúba.

Luiza Regina Oliveira Zanoni

Luiza Regina Oliveira Zanoni

Morta em Rondonópolis.

Mariana Bittencourt Santana

Mariana Bittencourt Santana

19 anos, morta pelo ex-companheiro, em Porto dos Gaúchos.

Márcia Gaston da Silva

Márcia Gaston da Silva

50 anos, assassinada em Brasnorte; marido é o suspeito do crime.

Raissa Pereira da Silva

Raissa Pereira da Silva

24 anos, morta em Sinop.

Júlia Vitória do Prado da Silva

Júlia Vitória do Prado da Silva

20 anos, encontrada morta em Tapurah.

Nilza Moura de Sousa Antunes

Nilza Moura de Sousa Antunes

Encontrada morta no quintal de casa, em Cuiabá.

Elzilene Alves do Nascimento

Elzilene Alves do Nascimento

Encontrada morta em um córrego, em Várzea Grande.

Valéria Araújo Corrêa

Valéria Araújo Corrêa

Encontrada morta em uma quitinete, em Tangará da Serra.

Primeira Página

Primeira Página

Levantamento reúne as 26 mulheres mortas em Mato Grosso em 2026.

Como denunciar?

Mulheres em situação de violência doméstica ou familiar podem buscar ajuda por meio do aplicativo SOS Mulher MT, que reúne serviços de proteção e canais de denúncia. A plataforma permite solicitar medidas protetivas de forma online, acessar telefones de emergência, localizar Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher e unidades de plantão 24 horas, além de registrar ocorrências pela Delegacia Virtual.

O aplicativo também conta com o Botão do Pânico, disponível para vítimas com medida protetiva nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande (MT), Cáceres (MT) e Rondonópolis (MT), permitindo o acionamento imediato das forças de segurança em caso de descumprimento da ordem judicial.

Além da ferramenta, denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelos telefones 190, da Polícia Militar, em situações de emergência, e 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona em todo o país.

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