Vacinação contra o HPV é prorrogada; confira 5 mitos sobre a dose

O Ministério da Saúde prorrogou até dezembro a vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos. A campanha encerraria neste mês, mas foi estendida para ampliar a cobertura vacinal desse público. Em Campo Grande, 1.008 doses foram aplicadas até o momento, número menor do que o ano passado.

Vacinação contra HPV para jovens de 15 a 19 anos vai até dezembro (Foto: Prefeitura de Campo Grande)

Agora, o público-alvo tem até 31 de dezembro para vacinar.

A medida tem como objetivo ampliar a proteção dos adolescentes que não foram vacinados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos, e assim reduzir a circulação do vírus e prever doenças relacionadas ao Papilomavírus Humano (HPV), como o câncer do colo do útero, além de cânceres de pênis, ânus, vulva, boca e garganta.

A vacina contra o HPV é segura, eficaz e oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos contemplados pela Estratégia de Resgate dos Não Vacinados, ou seja, que não possuem registro de vacinação anterior, é aplicada uma dose do imunizante.

Além da estratégia de resgate, a vacinação contra o HPV é disponível de forma rotineira para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

Em Campo Grande, a cobertura vacinal contra o HPV em 2025 alcançou 86,22% entre as meninas e 74,55% entre os meninos de 9 a 14 anos. Para o público de 15 a 19 anos, foram aplicadas 1.806 doses em 2025 e 1.008 doses em 2026.

Os mitos sobre a vacina

A vacina contra o HPV é fundamental para a prevenção de diversos tipos de câncer, a única que protege contra o de colo de útero, mas ainda é alvo de mitos. Confira 5 informações falsas sobre o imunizante:

1. Não causa infertilidade

Diversos estudos confirmam que a vacina do HPV não causa infertilidade. Pesquisas demonstraram que a incidência de insuficiência ovariana prematura é igual em meninas vacinadas e não vacinadas. O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da OMS afirmou que não há associação entre a vacina e a infertilidade.

2. Não aumenta o risco de coágulo no sangue

Estudos nos Estados Unidos e na Dinamarca mostraram que a vacinação contra o HPV não está associada a um risco maior de tromboembolismo venoso. Os casos analisados apresentavam fatores de risco conhecidos, como uso de anticoncepcional oral e obesidade, mas a vacinação não aumentou a probabilidade de formação de coágulos.

3. Não causa convulsões

Entre 30 mil voluntários em ensaios clínicos e 300 milhões de doses aplicadas em 17 anos, não há evidências de que a vacina cause convulsões ou problemas neurológicos. Estudos no Brasil e uma revisão sistemática realizada pela UFRN e UNICAMP apontaram que os efeitos adversos mais comuns são dor no local da injeção, fadiga, febre e dor de cabeça. Casos de convulsões relatados no Acre foram associados a reações psicogênicas e não à vacina.

4. Não é destinada apenas às meninas

Meninos também devem ser vacinados contra o HPV, pois estão igualmente em risco de infecção e são importantes transmissores do vírus. O HPV pode causar câncer de pênis, ânus e orofaringe em homens. O CDC estima que pelo menos 15 mil casos de câncer em homens por ano são causados pelo HPV.

5. Não incentiva o início da atividade sexual

A vacinação contra o HPV não tem relação com o incentivo à atividade sexual. Estudos da Universidade de Harvard e da Universidade de Michigan mostraram que adolescentes vacinados não são mais propensos a iniciar a vida sexual precocemente. A vacina é recomendada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos devido à eficácia imunológica comprovada nessa faixa etária, protegendo-os antes do início da vida sexual, principal meio de transmissão do HPV.

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