Após 41 dias sem registros de feminicídios, Mato Grosso do Sul voltou a contabilizar um caso de assassinato por violência de gênero. Maria do Carmo de Souza, de 66 anos, foi encontrada morta na manhã deste domingo (28), em uma propriedade rural na região do Setor Chácaras, em Naviraí.
A vítima foi localizada por um dos filhos, de 47 anos, que acionou as forças de segurança após encontrar a mãe caída no chão, cercada por uma grande quantidade de sangue.
Segundo informações da Polícia Militar, ao chegarem ao local os policiais confirmaram a situação e encontraram a mulher sem sinais vitais, coberta por um lençol. A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Civil e da Perícia Científica.
Em depoimento, o filho informou que Maria do Carmo morava sozinha na propriedade e que era visitada diariamente pelos familiares. Ele contou que foi avisado por um vizinho de que algo grave havia ocorrido na residência.
Um morador da região relatou aos policiais que, por volta das 23h30 de sábado (27), ouviu a chegada de um homem em uma motocicleta no imóvel da vítima.
De acordo com o relato, o suspeito entrou no terreno e iniciou uma discussão com Maria do Carmo. Em determinado momento, o vizinho ouviu barulhos e chegou a visualizar o homem pressionando a vítima.
Preocupado, ele enviou diversas mensagens para Maria do Carmo para verificar se estava bem, mas não recebeu resposta.
Na manhã seguinte, ao ir até a residência, encontrou a mulher já sem vida e comunicou os familiares.
Ainda conforme o depoimento, era comum a presença de um homem magro, de baixa estatura, que utilizava uma motocicleta Honda Titan verde e que, segundo moradores, mantinha um relacionamento com a vítima. Familiares informaram que ele trabalhara como borracheiro.
Durante os trabalhos no local, equipes da Polícia Civil e da Perícia Científica encontraram uma arma de fogo do tipo espingarda, aparentemente adaptada para calibre .22.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
13º feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul
Com a morte de Maria do Carmo, Mato Grosso do Sul chega a 13 feminicídios registrados em 2026.
O último caso havia sido registrado em 18 de maio, quando a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua residência, na Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após inconsistências identificadas pela perícia e pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2026

Josefa dos Santos, 44 anos
O primeiro feminicídio do ano foi registrado em 16 de janeiro, na aldeia indígena Damakue, em Bela Vista. Josefa foi morta com um tiro de espingarda pelo marido, João Fernando Viegas, de 51 anos, após uma discussão. Em seguida, ele tirou a própria vida. Familiares relataram um histórico de violência doméstica, embora não houvesse registros policiais ou medidas protetivas.
Rosana Candia Ohara, 62 anos
Rosana foi assassinada em 24 de janeiro, em Corumbá, pelo ex-marido, Antônio Lima Ohara, de 73 anos. Separados havia anos, ela ainda o ajudava financeiramente. Enquanto regava as flores que cultivava e vendia, foi atacada com pauladas. O autor fugiu de bicicleta e acabou preso horas depois.
Nilza de Almeida Lima, 50 anos
Encontrada morta em 22 de fevereiro, dentro de casa, em Coxim, Nilza apresentava uma perfuração provocada por faca. O marido tentou atribuir o crime ao filho do casal, mas a investigação apontou que ele era o autor. A vítima já havia denunciado episódios de ameaças e violência doméstica em 2024.
Beatriz Benevides, 18 anos
A jovem de 18 anos foi morta pelo namorado, Wellington Patrezi, em 25 de fevereiro, em Três Lagoas. Após uma discussão no apartamento onde haviam acabado de se mudar, ela foi estrangulada. O autor procurou a Polícia Militar e confessou o crime.
Liliane de Souza Bonfim Duarte, 51 anos
A enfermeira morreu em 6 de março, três dias após ser atacada com golpes de martelo pelo marido, o subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte, em Ponta Porã. Dois filhos do casal também ficaram feridos. Liliane era conhecida pela dedicação à enfermagem e à causa animal.
Leise Aparecida Cruz, 41 anos
Leise foi assassinada pelo companheiro, Edson Delgado, em Anastácio. Após o crime, ele utilizou o celular da vítima para enviar mensagens aos familiares, tentando fazer parecer que ela ainda estava viva. A fraude foi descoberta durante a investigação.
Ereni Benites, 44 anos
No dia 8 de março, em Paranhos, Ereni foi assassinada pelo ex-marido, que incendiou a residência onde ela dormia após utilizar um desodorante e um isqueiro para provocar o fogo. Integrante do povo Kaiowá, ela deixou três filhos.
Fátima Aparecida da Silva, 58 anos
Moradora de Selvíria, Fátima foi morta em 23 de março pelo sobrinho, Maurício da Silva, de 21 anos. Conhecida pela generosidade, ela costumava ajudar o familiar, apesar dos constantes relatos sobre seu comportamento agressivo.
Marlene Brito Rodrigues, 59 anos
A subtenente da Polícia Militar foi assassinada em 6 de abril, em Campo Grande. Com 37 anos de carreira, era reconhecida pela atuação pioneira da mulher na corporação. O principal suspeito é o namorado.
Vera Lúcia da Silva, 41 anos
Vera Lúcia foi morta pelo ex-companheiro em Eldorado, no dia 12 de abril, diante da filha de apenas 9 anos. Ela possuía histórico de violência doméstica e medidas protetivas contra o autor. Dias depois, o túmulo da vítima foi violado e o corpo retirado do caixão.
Zelita Rodrigues de Souza, 74 anos
Moradora da região de Porto Isabel, em Mundo Novo, Zelita foi assassinada pelo companheiro. Familiares relataram anos de agressões físicas, ameaças e violência psicológica. Após o crime, o autor permaneceu quatro dias ao lado do corpo antes de avisar vizinhos.
Fabíola Marcotti, 51 anos
Encontrada morta com um tiro na cabeça na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, o caso inicialmente foi tratado como suicídio. Entretanto, inconsistências identificadas pela perícia e pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher levaram a investigação a ser conduzida como feminicídio. Pessoas próximas afirmaram que ela vivia um relacionamento marcado por ciúmes excessivos.
Maria do Carmo de Souza, 66 anos
A 13ª vítima de feminicídio registrada em 2026 foi encontrada morta na manhã de 28 de junho, em uma propriedade rural de Naviraí. Um vizinho relatou ter ouvido uma discussão entre a vítima e um homem na noite anterior ao crime. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e busca identificar o suspeito.
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- Emergências: se a agressão estiver acontecendo, ligue no número 190 imediatamente;
- Denúncias: ligue para o número 180. O serviço de atendimento é sigiloso e oferece orientações para denúncias sobre violência contra mulheres. O telefonema pode ser feito em qualquer horário, todos os dias. Também é disponível um WhatsApp – (61) 9610-0180;
- Perigo: procure a delegacia mais próxima e acione a polícia, por meio do 190.
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