Mato Grosso não poderá mais utilizar vegetação nativa para produção de biomassa após a assinatura de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e o governo do estado neste mês.
Uma das alternativas para as indústrias nesse cenário, agora, é o cultivo de bambu, que além de servir como fonte de matéria-prima, pode se tornar uma solução sustentável para o setor, como explica Hans Jurgen Kleine, presidente da Associação Catarinense de Bambu.
O acordo firmado em Mato Grosso prevê a expansão das áreas de florestas plantadas para mais de 700 mil hectares até 2040, além da ampliação das áreas destinadas ao manejo florestal sustentável para, no mínimo, 6,5 milhões de hectares no mesmo período.
Segundo Hans, o bambu é uma gramínea de grande porte e, diferentemente de outras árvores, pode ser cortado repetidas vezes em certo período de tempo, já que volta a brotar com facilidade.
Ou seja, trata-se de uma planta permanente, que após plantada uma única vez, pode ser reutilizada por até 100 anos, de acordo com o especialista.
Essa característica faz o bambu ter um benefício maior que o eucalipto, que já vem sendo usado como matéria-prima para produção de biomassa em Mato Grosso, estado que vem enfrentando um déficit na oferta da matéria orgânica de origem vegetal.
O uso do eucalipto para produção de biomassa, inclusive, preocupa produtores e especialistas, que alertam para o risco de aumento da dependência de madeira oriunda de desmatamentos autorizados.

Segundo a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), a área atualmente cultivada com eucalipto no estado não é suficiente para atender à demanda crescente do setor industrial.
“O eucalipto se corta a cada sete anos e você, de tempos em tempos, tem que plantar de novo. O bambu pode ser cortado a cada dois anos, apenas o primeiro corte que é feito aos três anos para gerar energia ou para outras finalidades. Como ele é um material que tem o mesmo poder calorífico que o eucalipto, ele pode substituir ou complementar nesse processo.”
Hans Jurgen Kleine Presidente da Associação Catarinense de Bambu
A diferença do bambu para a madeira é a grande quantia de sílica, que faz com que o bambu solte muita cinza no momento da queima para a produção de biomassa. Por isso, a queima é feita com eucalipto, em uma proporção de 30% da gramínea para 70% da madeira.
Outro ponto explicado por Hens sobre o bambu é que ele precisa de mão de obra ao longo do ano todo, praticamente. Por outro lado, a preocupação com o eucalipto só surge no momento do desmate permitido da floresta.
“Então é por isso que a gente precisa passar esse conhecimento para o agricultor e essa é minha função hoje em Mato Grosso, para que as pessoas comecem a ver o bambu como uma opção de biomassa competitiva.”
Hans Jurgen Kleine Presidente da Associação Catarinense de Bambu
Ainda de acordo com o presidente da associação, algumas empresas já utilizam o bambu na produção de etanol de milho na região mato-grossense. Mais de 13 mil hectares da gramínea já foram plantados no estado.
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