De janeiro a maio de 2026, Cuiabá registrou 250 denúncias de violência contra idosos, segundo dados da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa. O número acende um alerta na Polícia Civil, que projeta a possibilidade de o total anual quase dobrar em relação a 2025, quando foram contabilizados 380 casos ao longo de todo o ano.
O levantamento foi divulgado pelo delegado titular Marco Aurélio Veloso. Segundo ele, o aumento também reflete maior acesso à informação e estímulo à denúncia por parte da população.
Mais denúncias e maior visibilidade do problema
De acordo com o delegado, o crescimento dos registros não indica apenas aumento da violência, mas também maior capacidade de identificação e comunicação dos casos.
“O que acontece é que, com o auxílio da imprensa, a população passou a ter ciência de como denunciar os fatos. Então hoje os números são apresentados e a gente pode constatar a realidade”, afirmou Veloso.
O levantamento segue os dados do Atlas da Violência 2026, que revelou um aumento de 194,9% nos casos de violência contra idosos em uma década em Mato Grosso. O número de notificações de violência interpessoal contra pessoas com 60 anos ou mais passou de 59 ocorrências em 2014 para 174 em 2024.
Violência atinge todas as classes sociais

A Polícia Civil aponta que não há um perfil único das vítimas. Os casos envolvem idosos de diferentes classes sociais, níveis de escolaridade e condições econômicas, o que reforça a amplitude do problema.
Em audiência na Câmara Municipal de Cuiabá, o delegado também destacou a falta de estrutura pública específica para o envelhecimento da população. A capital não possui Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) pública, dependendo de entidades filantrópicas.
Como alternativa, Veloso defende a implantação do modelo “Centro Dia”, em que o idoso recebe atendimento durante o dia e retorna para casa à noite, preservando o convívio familiar.
Penas e investigação de caso recente
O delegado também criticou a leveza das penas previstas no Estatuto da Pessoa Idosa, que variam de seis meses a três anos, podendo chegar a até 12 anos em casos mais graves.
Ele citou um caso recente envolvendo o policial aposentado Luciano Testa, suspeito de agressão contra um idoso. O Ministério Público utilizou o Código Penal para o enquadramento da denúncia, que prevê agravantes para crimes contra pessoas acima de 60 anos.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil e o suspeito permanece foragido.
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