A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, foi anunciada nesta quinta-feira (25). Paralisada há mais de uma década, a fábrica receberá investimento de R$ 5 bilhões da Petrobras para a conclusão das obras.
Durante o evento, foram assinados os contratos com as empresas vencedoras das licitações. A expectativa é que a retomada dos trabalhos aconteça ainda neste mês, gerando cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da retomada de uma obra que permaneceu parada por 12 anos e afirmou que a produção nacional de fertilizantes ajudará a reduzir custos no campo e, consequentemente, contribuir para o barateamento dos alimentos.
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Lula criticou o fechamento de fábricas de fertilizantes no Paraná, Bahia e Sergipe e destacou que o Brasil ainda depende da importação do produto.
“O país é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica como essa parada? Não é só pelos empregos que iria gerar, mas pela perspectiva de futuro”, afirmou.
O presidente também destacou a decisão da Petrobras de assumir a retomada da unidade e defendeu a ampliação da produção nacional.
“Um país jamais será soberano se não for dono do que produz”, declarou.

Estados serão contemplados com a UFN3
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a importância da unidade para o agronegócio e para a sociedade brasileira. Segundo ela, a previsão oficial é que a fábrica entre em operação em 2029, mas há expectativa de antecipar o início da produção para 2028.
A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, que foi prefeita de Três Lagoas, relembrou investimentos e afirmou que a unidade fortalecerá a produção agrícola em estados como Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso, além do próprio MS.
“Essa fábrica vai dar capacidade de produzir mais barato e colocar comida na mesa do povo brasileiro, que é o que interessa”, declarou.
Atualmente, o Brasil conta com três Unidades de Fertilizantes Nitrogenados em operação:
- Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari (BA);
- Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras (SE);
- Araucária Nitrogenados (Ansa), em Araucária (PR).
UFN3 deve ficar pronta até 2029
Quando estiver concluída, entre o fim de 2028 e o início de 2029, a UFN3 deverá produzir cerca de 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia por dia. Somada à produção das outras três unidades do país, a capacidade atenderá aproximadamente 35% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados, estima a Petrobras.
A expectativa é que o empreendimento seja mais rentável e eficiente do que as demais unidades em operação, reduzindo a dependência brasileira da exportação dos insumos. Cabe citar que cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são de origem estrangeira, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária.
“Por ser a unidade mais moderna, ela também terá o melhor desempenho em consumo de energia e emissões. Como a energia representa um dos maiores custos na fabricação de fertilizantes, a redução do consumo significa um produto mais barato e um projeto mais rentável do que unidades antigas”, disse Magda.
Magda também ressaltou a localização estratégica da planta. Instalada no coração do Centro-Oeste, região responsável por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, a UFN3 abastecerá estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná, São Paulo além de Mato Grosso do Sul.
“O que ganhamos com isso é uma brutal redução dos custos logísticos, além de maior confiabilidade no abastecimento para culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão.”Magda Chambriard.
A amônia é matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, produtos petroquímicos e outros insumos agropecuários. Já a ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no Brasil. A demanda nacional é estimada em cerca de 7 milhões de toneladas por ano, volume atualmente suprido por importações.
O milho lidera o consumo de ureia no país. O produto também é utilizado na pecuária como suplemento alimentar para animais ruminantes.
A novela UFN3
Iniciada em 2011, a UFN3 teve as obras interrompidas em 2014, após o encerramento do contrato com o consórcio responsável pela construção devido ao descumprimento contratual. Na época, o projeto já havia consumido cerca de R$ 4 bilhões em investimentos.
Abandonada com 81% das obras concluídas, a estrutura se transformou em um dos maiores “elefantes brancos” de Mato Grosso do Sul.
Em outubro de 2024, a retomada do empreendimento foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras dentro do Plano de Negócios 2026-2030. Já em março deste ano, o colegiado deu sinal verde para a retomada das obras.