Cerca de 2.122 mortes registradas em Mato Grosso – entre 2000 e 2019 – têm ligação com ondas de calor, segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ciência&Clima e ProAdapta.
No estado, os idosos (com 65 anos ou mais) aparecem como o grupo mais vulnerável dos eventos de calor extremo, registrando 1.510 mortes no período analisado. Em segundo lugar, pessoas na faixa etária de até 64 anos contabilizaram 488 mortes. Os pesquisadores destacam que a exposição prolongada a altas temperaturas pode agravar problemas de saúde já existentes e aumentar o risco de morte.
Segundo o estudo “Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS”, divulgado no dia 17 deste mês, as ondas de calor têm maior período de duração e frequência na região Centro-Oeste e Norte.
No entanto, apesar de estar localizado na região com maior incidência, Mato Grosso ocupa a 13ª posição em um ranking comparativo com outros estados brasileiros. Veja abaixo o ranking:
Mortes atribuíveis às ondas de calor por estado (2000–2019)
Estimativa de óbitos associados às ondas de calor no Brasil, segundo estudo da Fiocruz.
| Posição | Estado | Mortes estimadas |
|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 30.813 |
| 2º | Rio de Janeiro | 13.448 |
| 3º | Minas Gerais | 12.509 |
| 4º | Rio Grande do Sul | 6.866 |
| 5º | Paraná | 6.845 |
| 6º | Bahia | 6.171 |
| 7º | Goiás | 5.183 |
| 8º | Pará | 4.147 |
| 9º | Pernambuco | 3.949 |
| 10º | Ceará | 3.432 |
| 11º | Santa Catarina | 3.322 |
| 12º | Piauí | 2.425 |
| 13º | Mato Grosso | 2.122 |
| 14º | Espírito Santo | 1.879 |
| 15º | Mato Grosso do Sul | 1.722 |
| 16º | Distrito Federal | 1.714 |
| 17º | Amazonas | 1.681 |
| 18º | Paraíba | 1.247 |
| 19º | Rio Grande do Norte | 1.151 |
| 20º | Alagoas | 1.038 |
| 21º | Tocantins | 935 |
| 22º | Rondônia | 855 |
| 23º | Sergipe | 779 |
| 24º | Maranhão | 460 |
| 25º | Amapá | 408 |
| 26º | Acre | 345 |
| 27º | Roraima | 167 |
Fonte: Fiocruz – Estimativa de óbitos atribuíveis às ondas de calor no Brasil (2000–2019).
Essa maior incidência do fenômeno, que eleva ainda mais as temperaturas, também aumenta os riscos à saúde, podendo levar até à morte. Segundo o estudo, entre os anos de 2000 e 2019, aproximadamente 120 mil mortes registradas têm ligação com o calor extremo no Brasil.
Em âmbito nacional, os idosos também foram os mais afetados no período, que registrou mais de 97 mil mortes de pessoas com 65 anos ou mais. Ainda dentro do total, quando observado o quantitativo de mortes por causas mais relevantes, destacam-se as doenças cardiovasculares e respiratórias. Os pesquisadores identificaram aproximadamente 34 mil e 24 mil mortes atribuíveis ao calor, respectivamente.
Em âmbito nacional, o estudo explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS). Na população em geral, foi identificado um aumento no risco de internação por doenças respiratórias, como pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões.

O estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da redução do volume total de sangue e líquidos no corpo e da disfunção renal.
Para crianças menores de 10 anos, as diarreias foram a causa de internação mais associada às ondas de calor em todas as macrorregiões do país. A condição pode estar associada à desidratação e às alterações ambientais que afetam a qualidade da água e o armazenamento de alimentos durante períodos de calor extremo.
A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor no período analisado. Contudo, o estudo sinaliza que a exposição às ondas de calor não ocorre de modo homogêneo no território nacional.

Há variações de frequência, duração e intensidade entre as sete zonas climáticas do país, que foram adotadas neste estudo por sua maior sensibilidade de captar a relação entre saúde e os eventos de ondas de calor.
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