O risco de perder competitividade por resistência às mudanças deixou de ser uma preocupação distante e passou a fazer parte da realidade de muitas propriedades rurais brasileiras. Esse é um dos principais alertas do episódio desta semana do podcast Agro de Primeira MT. O convidado da edição, o investidor e especialista em inovação João Kepler, defende que o atual cenário de margens apertadas e juros elevados exige que o produtor rural se abra a novos modelos de negócio.
Para Kepler, o agronegócio brasileiro ainda é subestimado como ambiente de inovação e continua sendo visto principalmente pela ótica da produção. Na avaliação dele, o setor reúne oportunidades em áreas como logística, finanças e tecnologia, além de concentrar problemas que podem ser transformados em novos negócios.
“Vejo o agro ainda muito na produção, enquanto que, para mim, ele é muito mais do que isso. Ele é logística, ele é finanças, ele é tecnologia, ele é inovação pura, porque no agro tem muito problema para ser resolvido e muito problema para ser implantada a inovação”, comentou o especialista.
Veja o episódio completo:
O especialista afirma que ainda existe resistência tanto por parte de quem está fora do setor quanto entre os próprios produtores. De um lado, há a percepção de que o agro é um ambiente difícil para a inovação; de outro, muitos produtores acreditam que novas tecnologias são caras ou complexas demais para serem incorporadas às propriedades.
“Se o produtor rural usa o WhatsApp, se ele usa um celular, se ele usa qualquer coisa, ele já está pronto para entender mais a nova economia do que efetivamente entendeu até agora. Não é coisa do sobrinho, não é coisa do filho, não é só dessa geração que está vindo”, disse o investidor.
Ao longo da entrevista, Kepler destaca que o atual momento do agronegócio torna a inovação ainda mais necessária. Com custos elevados e menor rentabilidade, ele argumenta que o produtor precisa deixar de se ver apenas como fornecedor de commodities e começar a buscar novas oportunidades de receita e diferenciação.
“Nós estamos num ano de grande crise no setor, com margens muito apertadas, com juros muito altos e que o produtor praticamente não está tendo lucro. Então, ele vai até quando ficar refém disso? É a hora agora da inovação, a hora agora de testar outras oportunidades”, alertou.
Novas ideias no agro
Para o investidor, o caminho passa por testar soluções em pequena escala, validar ideias e abrir espaço para novas formas de fazer negócios no campo.
“Agora é hora de se abrir para o novo, agora é hora de olhar, testar, validar. É fazer pequeno, é fazer com pouca área, com poucas coisas. Então, não se fechar para dizer: ‘Eu nasci assim, sou assim’. Não é mais isso.”
Na avaliação de Kepler, a maior barreira não está na implementação das ferramentas, mas na disposição para mudar a mentalidade construída ao longo dos anos.
“Não é difícil fazer isso. O que é difícil é mudar a mentalidade. O que é difícil é você aceitar que isso é possível, porque se você não testar, você não vai conseguir nunca.”
O episódio completo do Agro de Primeira MT com João Kepler está disponível nas plataformas digitais e traz reflexões sobre inovação, sucessão familiar e as oportunidades que a nova economia oferece ao agronegócio brasileiro.
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