Estiagem pode ampliar demanda por milho mato-grossense, aponta Imea

A seca que atinge importantes regiões produtoras do país pode aumentar a procura pelo milho produzido em Mato Grosso na safra 2025/26. A avaliação é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que destacou o cenário no boletim de Oferta e Demanda divulgado nesta segunda-feira (1º).

O boletim aponta ainda que o desempenho positivo é atribuído aos bons volumes de chuva registrados nos períodos críticos de desenvolvimento das lavouras de milho. – Foto: Agência Brasil

Segundo o instituto, estados como Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo enfrentam condições climáticas adversas que comprometem o potencial produtivo das lavouras. Diante desse quadro, Mato Grosso deve ganhar relevância no abastecimento do mercado nacional.

A projeção do Imea para o consumo interestadual de milho na safra 2025/26 foi revisada para 9,15 milhões de toneladas. O aumento reflete a expectativa de maior necessidade de suprimento por parte de regiões afetadas pela estiagem, que podem registrar perdas de produtividade em razão da escassez de chuvas.

Além da demanda de outros estados, o consumo interno também segue em expansão. A estimativa é que Mato Grosso utilize 22,10 milhões de toneladas do cereal dentro do próprio território, volume 11,67% superior ao registrado na safra 2024/25.

O crescimento é impulsionado, principalmente, pela ampliação da indústria de etanol de milho. Conforme o boletim, a entrada em operação de duas novas usinas fortalece a capacidade de absorção do grão e colabora com o aumento da demanda regional.

Exportação em baixa

Enquanto o mercado doméstico avança, as exportações devem apresentar retração. O Imea estima embarques internacionais de 23,10 milhões de toneladas na safra 2025/26, queda de 4,47% em relação à projeção da temporada anterior.

Com a demanda aquecida, os estoques finais do estado tendem a ficar mais enxutos. A previsão é que Mato Grosso encerre o ciclo com 620,5 mil toneladas armazenadas, volume 17,29% menor que o projetado anteriormente.

Projeção de produtividade

Apesar das preocupações climáticas em outras regiões do país, a perspectiva para a produção mato-grossense segue positiva. No relatório de junho, o Imea elevou a estimativa de produtividade média para 120,28 sacas por hectare, alta de 1,32% em relação ao levantamento anterior.

Entre as regiões com melhor desempenho esperado estão o Médio-Norte, com produtividade estimada em 125,61 sacas por hectare, seguido pelo Noroeste, com 121,10 sacas por hectare, e pelo Oeste, com 120,82 sacas por hectare.

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