Antes de Pelé, cuiabano abriu caminho na Seleção Brasileira

Quando o assunto é Copa do Mundo, nomes como Pelé, Garrincha, Ronaldo e Romário costumam dominar as lembranças dos torcedores. Mas poucos sabem que Mato Grosso também teve um representante na Seleção Brasileira muito antes de o estado ganhar destaque nacional no futebol.

Nascido em Cuiabá, em 1933, José Roque Paes, conhecido como Traçaia, foi o primeiro jogador mato-grossense a vestir a camisa da Seleção Brasileira. O atacante iniciou a carreira no futebol local, defendendo clubes tradicionais como Mixto, Palmeiras e Dom Bosco, antes de conquistar projeção nacional.

José Roque Paes, o ‘Traçaia’, foi o primeiro jogador mato-grossense a vestir a camisa da Seleção Brasileira. – Foto: Reprodução

O talento de Traçaia chamou atenção durante o Campeonato Brasileiro de Seleções de 1952. Artilheiro da equipe mato-grossense, ele despertou o interesse de grandes clubes e abriu caminho para atuar no Flamengo e, posteriormente, em equipes do futebol paulista e carioca.

Foi, porém, no Sport Club do Recife que o cuiabano escreveu os capítulos mais marcantes da carreira. Entre 1955 e 1962, conquistou cinco títulos do Campeonato Pernambucano e se tornou o maior artilheiro da história do clube, com mais de 200 gols marcados.

O desempenho nos gramados pernambucanos também garantiu uma convocação para a Seleção Brasileira. Segundo o pesquisador Francisco das Chagas, Traçaia participou do Campeonato Extra Sul-Americano, em 1959, disputando cinco partidas com a camisa verde e amarela.

“Ele se tornou um ídolo da torcida, principalmente da torcida pernambucana, porque foi várias vezes campeão por lá. Mas começou a carreira aqui em Cuiabá, em 1951”, destaca o pesquisador.

Com a camisa da Seleção Brasileira, Traçaia também deixou sua marca ao balançar as redes uma vez.

Em 1962, o atacante seguiu para a Europa, onde defendeu o Admira Wacker, da Áustria. No clube, conquistou a Copa da Áustria em 1964 e encerrou a carreira no futebol europeu.

Traçaia morreu em Recife, em junho de 1971, aos 37 anos. Décadas depois, continua sendo lembrado como um dos maiores jogadores revelados por Mato Grosso e um dos maiores ídolos da história do Sport Recife.

Sua trajetória permanece como um marco para o futebol mato-grossense e um exemplo de que grandes talentos também nasceram longe dos principais centros do país.

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