Mato Grosso lidera em conexão, mas acende alerta para a exaustão mental

Estar online quase o tempo todo virou a regra em Mato Grosso. Os dados mais recentes da PNAD Contínua TIC, divulgados pelo IBGE, colocam o estado no topo do ranking nacional de conectividade, com impressionantes 95,7% das residências com acesso à internet.

No entanto, se por um lado o indicador celebra o avanço econômico e a inclusão social, por outro, especialistas começam a mapear os efeitos colaterais dessa hiperconectividade no cérebro da população.

Esse cenário de estímulos virtuais ininterruptos coincide com um momento de forte pressão nos consultórios e na Previdência Social, que registra um salto expressivo nos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no país.

Embora o estresse no trabalho e as crises financeiras ou familiares pesem nessa balança, o bombardeio digital tem funcionado como uma sobrecarga invisível no dia a dia.

O esgotamento das funções cerebrais

O funcionamento da atenção humana tem limites biológicos bem claros. Segundo o médico psiquiatra Marcelo Generoso, professor da Afya Educação Médica em Cuiabá, o cérebro humano precisa fazer um esforço hercúleo para filtrar o que é importante e descartar o que é lixo eletrônico.

“Quando esse processo de filtragem ocorre de forma contínua, em um ambiente cheio de notificações, mensagens e alternância constante de tarefas, o resultado é a exaustão mental, a queda de concentração e a perda da eficiência cognitiva”, explica o médico.

Esse esgotamento atende pelo nome de fadiga cognitiva. Não se trata de uma doença ou um diagnóstico psiquiátrico fechado, mas sim de um estado de pane no sistema provocado pelo uso abusivo da memória de trabalho e do foco. Na prática, a pessoa começa a sentir:

  • Lapsos frequentes de memória recente;

  • Irritabilidade constante e sensação de “mente cheia”;

  • Raciocínio lento e a necessidade de muito mais esforço para cumprir tarefas simples do cotidiano.

A mania de checar o celular a cada minuto fragmenta o foco e impede que o cérebro passe pelos períodos de calmaria necessários para fixar e organizar novas informações.

Como fazer uma “higiene digital” na rotina

Para o psiquiatra, a saída não é demonizar a internet ou abandonar as redes, já que a tecnologia é uma ferramenta essencial de trabalho e convivência. O segredo está em criar estratégias de defesa para a mente. O especialista sugere cinco hábitos simples:

  • Pausas sem telas: Blindar momentos do dia (como refeições e as horas antes de dormir) longe do celular, computador ou TV;

  • Blocos de foco: Trabalhar ou estudar em períodos dedicados a uma única tarefa, esquecendo a ilusão de que somos “multitarefas”;

  • Faxina nas notificações: Silenciar grupos e alertas que não sejam urgentes para tirar o cérebro do estado de vigilância constante;

  • Respeito ao sono: Desligar os aparelhos à noite para garantir que o sono cumpra seu papel de regular as emoções e restaurar a memória;

  • Auto-observação: Ficar atento se o cansaço mental e a ansiedade começarem a prejudicar os estudos, o trabalho ou os relacionamentos.

“O problema real não é a tecnologia, mas a falta de limites e a ausência de períodos de recuperação”, conclui Generoso.

Quando esses sintomas saem do controle e começam a paralisar a rotina, o ideal é buscar ajuda profissional para avaliar se o quadro já evoluiu para transtornos mais graves, como depressão, ansiedade crônica ou a síndrome de burnout.

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