Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que residem em áreas rurais ou municípios do interior de Mato Grosso passarão a contar com diagnósticos mais ágeis e acesso facilitado a médicos especialistas.
Um edital integrado, lançado pelos Ministérios das Comunicações e da Saúde, vai aplicar recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para instalar infraestrutura de internet de alta velocidade em até 65 Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuídas pelo território mato-grossense.
A ação nacional — que conta com um aporte financeiro global de R$ 104 milhões para interligar 3,8 mil postos de saúde no país — prioriza microrregiões que enfrentam vazios assistenciais e dificuldades históricas de conexão digital.
Cidades mato-grossenses contempladas pelo edital
A seleção das UBSs levou em conta critérios técnicos de vulnerabilidade social e isolamento geográfico. Em Mato Grosso, a modernização digital alcançará unidades localizadas em 29 municípios:
- Regiões Norte e Noroeste: Alta Floresta, Brasnorte, Juara, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte e Novo Horizonte do Norte;
- Regiões Sul e Sudeste: Alto Araguaia, Guiratinga, Juscimeira, Pedra Preta, Rondonópolis e São Pedro da Cipa;
- Baixada Cuiabana e Médio-Norte: Barra do Bugres, Diamantino, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande;
- Regiões Araguaia e Nordeste: Confresa, Gaúcha do Norte, General Carneiro, Paranatinga, Luciara e Vila Rica;
- Regiões Oeste e Sudoeste: Cáceres, Campo Verde, Comodoro, Poconé e Salto do Céu.
Programa “Agora Tem Especialistas” mira redução de filas
A conectividade é a espinha dorsal do programa federal Agora Tem Especialistas, desenhado para descentralizar o atendimento médico de alta complexidade. Com a estrutura de fibra óptica ou conexão via satélite de alto desempenho regulamentadas pelo Fust, as equipes locais das UBSs poderão realizar teleconsultas em tempo real com especialistas de grandes centros hospitalares (como cardiologistas, neurologistas e endocrinologistas), evitando o deslocamento forçado e exaustivo de pacientes por rodovias.
O Ministério da Saúde projeta que o avanço da telessaúde e a unificação dos prontuários eletrônicos gerem impactos diretos na eficiência da rede pública:
- Tempo de Espera: Estimativa de redução de até 30% nas filas de espera por consultas especializadas, exames de média complexidade e agendamentos cirúrgicos;
- Gestão de Insumos: Rastreabilidade e controle digital em tempo real dos estoques de medicamentos de distribuição gratuita;
- Diagnóstico Remoto: Envio instantâneo de laudos de exames de imagem (como eletrocardiogramas e radiografias) para validação de juntas médicas à distância.
“A saúde pública necessita de informações rápidas, prontuários integrados e atendimento mais ágil. Esse edital vai priorizar as UBS para garantir que médicos, enfermeiros, equipes de saúde e pacientes tenham acesso a uma infraestrutura digital moderna”, enfatizou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Estrutura interna completa inclusa nos contratos
Um diferencial técnico do edital é que as empresas de telecomunicações e provedores de internet vencedores da licitação não serão responsáveis apenas por levar o sinal até a porta da unidade (o chamado backhaul). Os contratos exigem obrigatoriamente a instalação e estruturação da rede Wi-Fi interna dos postos de saúde.
A medida garante que os tablets, computadores de consultório e equipamentos de triagem operem perfeitamente integrados. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o foco é garantir que a tecnologia funcione como uma ferramenta de equidade, “permitindo a integração total dos dados e a comunicação das equipes de ponta no interior do Brasil”.
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