E se as abelhas sumissem por um dia?

Se as abelhas desaparecessem por apenas 24 horas, mais de 70% da produção de alimentos seria afetada. Isso porque as abelhas são os principais agentes de polinização do planeta, um papel essencial para o equilíbrio do ecossistema e para a segurança alimentar. Neste Dia Mundial das Abelhas (20), o Brasil se destaca pela grande diversidade, com cerca de 3 mil espécies identificadas, segundo o Instituto Butantan.

O Brasil abriga cerca de 3 mil espécies de abelhas. (Foto: Greenpeace)
  1. Sem abelhas, alimentos podem ficar mais caros e escassos, alertam especialistas

Discretas, elas são essenciais para o equilíbrio do ecossistema e para a produção de alimentos em todo o planeta.

Atualmente, existem cerca de 20 mil espécies de abelhas no mundo, sendo a mais conhecida a Apis mellifera. De acordo com a Embrapa Amazônia Oriental, elas são responsáveis pela polinização de cerca de 90% das plantas que possuem flores.

Em entrevista ao Portal Primeira Página, a pesquisadora e doutora em agronomia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Adriana Castro, reforça que esse processo é insubstituível na agricultura.

“Existem plantas que são extremamente dependentes das abelhas para que possam produzir frutos, como é o caso do maracujá. Já outras não dependem, mas são beneficiadas, ocorrendo aumento na produção quando há presença das abelhas, como é o caso da laranja, do limão e da tangerina, do algodão e do café”, apontou a pesquisadora.

Brasil reúne cerca de 3 mil espécies e depende da polinização para garantir a segurança alimentar. (Foto: A.B.E.L.H.A.)
Brasil depende da polinização para garantir a segurança alimentar. (Foto: A.B.E.L.H.A.)

Segundo ela, mesmo com outros insetos atuando como polinizadores como moscas, vespas, besouros, borboletas e mariposas, nenhum conseguiria substituir plenamente o trabalho das abelhas.

Sem esses insetos, culturas como girassol, abóbora e diversas frutas como abacate, acerola, melão, melancia, maracujá, maçã e pêssego, poderiam ser drasticamente afetadas, chegando até à perda total da produção. Embora existam alternativas como a polinização artificial, Adriana alerta para as consequências.

“A disponibilidade de alimentos seria muito reduzida, comprometendo a segurança alimentar, reduzindo a variedade de produtos e aumentando o preço para produção”, destacou.

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Você sabia? Nem todas as abelhas têm ferrão

No Brasil e em outros países tropicais, existem abelhas que não picam: são as chamadas abelhas-sem-ferrão. Elas vivem em sociedade e produzem um mel conhecido pelo sabor diferenciado e propriedades medicinais.

O país abriga mais de 300 espécies desse tipo, incluindo algumas bastante conhecidas, como a jataí, iraí, mirim e tubuna. Muitas delas convivem com a população urbana, construindo ninhos em árvores, muros, paredes, caixas de luz, barrancos e até no subsolo.

Abelha sem ferrão Tetragonisca angustula, conhecida como jataí. (Foto: Cristiano Menezes/ A.B.E.L.H.A.)
Abelha sem ferrão Tetragonisca angustula, conhecida como jataí. (Foto: Cristiano Menezes/ A.B.E.L.H.A.)

A maioria é inofensiva, e pode ser identificada pelo tipo de material usado na entrada do ninho — algumas utilizam barro, enquanto outras preferem cera.

Apesar da diversidade, a produção de mel dessas abelhas ainda é pequena no Brasil. Grande parte do mel encontrado nos mercados vem da abelha africanizada.

A vida dentro da colmeia

A rotina das abelhas é tão organizada quanto essencial. As operárias da espécie Apis mellifera vivem, em média, 45 dias, podendo chegar a até cinco meses em regiões de clima mais frio. Já os machos vivem cerca de três semanas no ambiente, sendo expulsos da colônia poucos dias após o nascimento e morrem logo após a cópula, caso encontrem uma rainha.

As rainhas, por sua vez, têm uma vida muito mais longa: podem viver de dois a quatro anos, dependendo da capacidade de postura de ovos.

De flores a alimentos, tudo passa pelo trabalho desses polinizadores. (Foto: A.B.E.L.H.A.)
De flores a alimentos, tudo passa pelo trabalho desses polinizadores. (Foto: A.B.E.L.H.A.)

De acordo com a Assossiação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), a alimentação delas é baseada em recursos florais, especialmente o néctar e o pólen. O néctar é a principal fonte de energia e é coletado pelas abelhas com a probóscide, enquanto o pólen fornece proteínas, vitaminas e lipídeos essenciais para o desenvolvimento das larvas.

Mais do que alimento, o pólen é essêncial na reprodução das plantas. Ele contém o gameta masculino e precisa atingir o ovário da flor para que frutos e sementes sejam formados, processo que na maioria das vezes, só ocorre com a ajuda de agentes externos, como o vento, a chuva ou, principalmente, as abelhas.

Já o néctar é uma solução rica em açúcares, como sacarose, glicose e frutose, além de compostos que determinam aroma, sabor e valor nutritivo — características que variam de acordo com a planta.

Pólen é peça-chave no ciclo reprodutivo das plantas e na biodiversidade. (Foto: A.B.E.L.H.A.)
Pólen é peça-chave no ciclo reprodutivo das plantas e na biodiversidade. (Foto: A.B.E.L.H.A.)

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