Uma organização criminosa envolvida com crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, e esquemas de fraude foi alvo das operações ‘Eidolon’ e ‘Falso Mestre’ foram deflagradas na manhã desta terça-feira (19) pela Polícia Civil, em Sorriso (MT). Sete mandados de prisão foram cumpridos.
Durante as operações, a polícia identificou um grupo criminoso formado por servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores envolvidos no desvio de veículos apreendidos e sob guarda da administração da prefeitura da cidade. Um juiz de paz também foi alvo, suspeito de facilitar o esquema.
Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública, Trânsito e Defesa Civil de Sorriso informou ao Primeira Página que não compactua com os atos criminosos apontados na Operação Eidelon e que está à disposição da polícia.
Além disso, explicou que um dos alvos, um guarda municipal, foi afastado do cargo ainda na primeira fase da operação, em outubro do ano passado, e responde Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Operação Eidolon
Ainda segundo a polícia, os desvios dos veículos apreendidos e sob guarda da administração pública eram feitos por meio de uso de documentos falsos, fraudes cartorárias e corrupção de agentes públicos.
O grupo agia de forma organizada, com funções específicas divididas entre os membros, envolvendo servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores.
No esquema, os veículos eram identificados com baixa probabilidade de recuperação por seus proprietários, especialmente motos com pendências administrativas. Depois, era feita a retirada ilegal dos pátios conveniados, com uso de procurações fraudulentas e termos falsificados de liberação.
Ainda durante as investigações, a polícia constatou a participação de integrantes com acesso privilegiado a sistemas públicos, além da atuação de indivíduos ligados a cartórios e procedimentos de autenticação documental.
Assim, era possível a inserção de dados falsos, emissão de procurações fraudulentas e regularização ilícita de veículos.
Um guarda municipal foi apontado pela polícia como liderança operacional do esquema e preso durante a primeira fase da operação. Além dele, um juiz, que não teve a identidade divulgada, também é suspeito de acesso a procedimentos cartorários utilizados para viabilizar as fraudes investigadas.
Polícia Civil
Operação Eidelon – 2ª fase
5
Mandados de prisão cumpridos
9
Mandados de busca e apreensão
5
Bloqueios de contas bancárias
Medidas adicionais
Suspensão de registros de pessoas jurídicas
Suspensão do exercício de função pública
Afastamento do sigilo financeiro de oito investigados
Fonte: PJC-MT
Operação Falso Mestre
A Operação Falso Mestre iniciou a partir da denúncia de uma vítima que contou ter sido induzida a fornecer documentos pessoais que seriam usados na matrícula em curso de conclusão do Ensino Médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Conforme a polícia, o investigado seria conhecido da vítima e antigo professor, que teria usado a relação de confiança para ter acesso a documentos pessoais dela, os quais foram usados em fraudes bancárias e compras de veículos.

Durante as investigações, as equipes verificaram que foram realizados financiamentos fraudulentos de veículos em instituições financeiras, incluindo um Cobalt e um Jeep Renegade, tudo sem consentimento da vítima.
Também foram identificados elementos indicando possível participação de pessoas com acesso a cartório da cidade.
O juiz da operação anterior é também alvo dessa operação. Dessa vez, suspeito de realizar procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema.
Polícia Civil
Operação Falso Mestre
07
Mandados de busca e apreensão
Fonte: PJC-MT
Na soma das duas operações, foram cumpridos sete mandados de prisão, 16 de busca e apreensão, além de bloqueios judiciais de contas bancárias; afastamentos de sigilo financeiro; suspensão de funções públicas; suspensão de registros empresariais e outras medidas cautelares patrimoniais e investigativas.
Os suspeitos devem responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
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