Investigador condenado perde cargo na PJC e é alvo de nova denúncia pelo MP; entenda

O policial civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) nesta segunda-feira (18), por tentativa de homicídio qualificado, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima em relação ao investigador da Polícia Civil Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior.

A denúncia é fruto de fatos novos que vieram à tona durante o julgamento do Tribunal do Júri que durou três dias, realizado entre 12 a 14 de maio, no qual o acusado foi condenado pelo homicídio do policial militar Thiago de Souza Ruiz, morto 27 de abril de 2023.

Investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, durante interrogatório no tribunal do júri. – Foto: Alair Ribeiro

Durante a sessão, como testemunha ocular do homicídio, o investigador da Polícia Civil Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior revelou informações até então não apresentadas na fase investigativa, afirmando que também foi alvo direto dos disparos efetuados pelo denunciado.

Walfredo relatou que, no momento dos fatos, escapou de ser atingido por pouco, afirmando que precisou recuar para não ser alvejado. Ele declarou que não havia informado anteriormente essa circunstância por receio, já que o acusado era seu colega de profissão.

O investigador da DHPP, Walfredo, emocionado em depoimento onde relembra morte do amigo. - Foto: Alair Ribeiro
O investigador Walfredo, emocionado em depoimento onde relembrou morte do amigo. – Foto: Alair Ribeiro

Segundo o Ministério Público, o relato é “coerente e compatível” com as imagens de câmeras de segurança, com conduta motivada por razão fútil, uma vez que a reação violenta ocorreu porque a Walfredo tentou separar a briga.

Com isso, os promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins, Samuel Frungilo, Rodrigo Ribeiro Domingues e Élide Manzini de Campos pediram que a denúncia seja aceita pela Justiça, que o acusado seja chamado para responder ao processo e que o caso continue até o julgamento pelo Tribunal do Júri.

Ao final, é pedida indenização mínima pelos danos morais causados à vítima e à coletividade, sugerindo o valor de 30 salários mínimos, em razão da gravidade dos fatos e do abalo à ordem social.

Perda do cargo na Polícia Civil

Em mais um desdobramento do caso, a Justiça acolheu os embargos de declaração apresentados pelo MPMT, nesta segunda-feira (18), e reconheceu a perda do cargo público do policial civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri em Cuiabá.

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, constestou a sentença proferida em plenário, na quinta-feira (14). Ele apontou que o próprio réu afirmou, durante interrogatório, que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos, o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional.

Ao analisar o pedido, o juiz da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros da Silva, reconheceu a existência da omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Tribunal do Júri. 

O juiz também destacou que as provas produzidas em plenário, incluindo depoimentos e imagens, evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e inserido em uma situação de conflito, circunstâncias consideradas incompatíveis com os deveres do cargo público. 

O júri

O investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, foi condenado a dois anos de detenção a ser cumprida em regime aberto, pelo homicídio do policial militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros em uma conveniência, em 27 de abril de 2023, em Cuiabá.

Foi determinada ainda a retirada da tornozeleira eletrônica do réu. Mário Wilson respondeu o processo em liberdade e deve continuar solto.

O caso ocorreu no dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá.

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