O que a bronca do Macron ensina sobre comunicação

As imagens do presidente francês Emmanuel Macron interrompendo uma palestra no Quênia correram o mundo nesta semana. Durante um debate cultural realizado na cidade de Nairóbi, Macron levantou-se da plateia, pediu o microfone e reclamou das conversas paralelas que tomavam conta do ambiente enquanto palestrantes falavam no palco.

A reação repercutiu não apenas pelo tom firme do presidente, mas porque expôs um problema cada vez mais comum em diferentes ambientes: a dificuldade de silenciar para ouvir.

“É impossível falar com tanto barulho. Isso é uma total falta de respeito”, disse Macron, ao pedir que as pessoas conversassem em outro local ou deixassem a sala.

Presidente francês Emmanuel Macron viraliza ao pedir respeito durante palestra. – Foto: reprodução g1/Reuters

A cena poderia ter acontecido em muitos outros lugares. Em teatros, cinemas, apresentações musicais, cerimônias religiosas e até em reuniões de trabalho, situações semelhantes se repetem com frequência. Atores já precisaram interromper espetáculos para pedir silêncio à plateia. Palestrantes disputam atenção com celulares, cochichos e pessoas que parecem mais interessadas em conversar entre si do que no evento que escolheram assistir.

Talvez este seja um dos grandes desafios da atualidade: nunca falamos tanto e nunca ouvimos tão pouco. Existe uma falsa ideia de que comunicação é apenas saber falar. Não é. Comunicação também envolve presença, atenção, escuta e respeito ao espaço do outro. Em muitos momentos, silenciar é uma das formas mais elegantes de se comunicar.

O silêncio, quando necessário, transmite educação, demonstra interesse e revela maturidade social. É uma maneira de dizer: “o que está sendo dito aqui importa”.

E isso vale para diferentes situações do cotidiano.

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Em ambientes coletivos, é preciso saber respeitar os momentos de silêncio. – Foto: imagem criada por IA

Em um teatro, o barulho quebra a concentração dos artistas e da plateia. Em um cinema, conversas paralelas prejudicam a experiência coletiva. Em missas e cultos, dispersam a atenção e desrespeitam a solenidade do momento. Em palestras, interrompem o raciocínio de quem fala e dificultam o aprendizado de quem realmente deseja ouvir.

Outras pequenas atitudes também fazem diferença e demonstram consideração pelos outros:

Mesmo no modo silencioso, cuidado com a luz da tela, que pode distrair quem está ao redor. Flash para fotos também costuma ser inadequado nesses ambientes.

  • Evite comentários em voz alta

Se precisar falar algo, faça discretamente e apenas com quem está ao seu lado.

  • Atenção com gritos, assobios e manifestações entusiasmadas

Em shows e apresentações culturais, aplausos costumam ser bem-vindos ao fim de uma música, cena ou espetáculo, mas não durante a fala de quem está no palco.

Saber a hora de falar é importante. Mas saber a hora de silenciar talvez seja ainda mais. Porque ouvir também é uma forma de respeito. E respeito continua sendo uma das formas mais poderosas de se comunicar.

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