A nova sessão do Tribunal do Júri que deve julgar o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, dentro de uma conveniência em um posto de combustíveis de Cuiabá, está prevista para esta terça-feira (12), no Fórum de Capital.
O júri, que havia sido marcado para dia 15 de dezembro de 2025, chegou a ocorrer, porém, foi suspenso após um desentendimento entre a magistrada e advogados do réu.
A sessão, que iniciou da tarde do dia 15 de dezembro, teve sorteio do Conselho de Sentença e oitiva de testemunhas do Ministério Público (MPMT), inclusive do delegado de Polícia, Guilherme Nascimento Fachinelli, que conduziu investigação do crime.
Em determinado momento a juíza Mônica Catarina Perri advertiu a defesa, ressaltando que as perguntas estariam induzindo uma testemunha. Naquele momento, membros do Ministério Público e da defesa começaram a discutir.
A magistrada ainda argumentou que o clima de conflito durante a sessão poderia influenciar a decisão dos jurados e orientou que não fossem feitas gravações da audiência.

O advogado do réu, Claudio Dalledone e outro defensor argumentaram que tiveram a defesa cerceada e que chamariam o Conselho de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) no local, o que foi negado pela juíza, que determinou a retirada dos advogados do plenário.
O bate-boca culminou na declaração da magistrada “que se dane a OAB”. Um tumulto iniciou e um dos advogados exclamou: “manda me prender excelência”. A sessão foi suspensa.
No dia seguinte, 16 de dezembro, advogados e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT) foram até o Fórum para um protesto, porém, foram barrados na entrada. O ato não teve continuidade e precisou ser remarcado para 2026.
Magistrada sai do caso
Em 29 de abril deste ano a juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, declarou sua suspeição e não irá mais presidir a sessão do Tribunal do Júri do investigador da Polícia Civil Mário Wilson.
O pedido de suspeição ocorre quando um magistrado é impossibilitado de exercer sua função em determinado processo, devido a vinculo subjetivo (relacionamento) com algumas das partes, o que compromete seu dever de imparcialidade.
A motivação foi uma reclamação feita pelos advogados do réu no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a conduta da juíza após o episódio do desentendimento.
“Declaro a minha suspeição para continuar atuando nestes autos, por motivo de foro íntimo consistente na superveniência da Reclamação Disciplinar perante o Conselho Nacional de Justiça, desencadeada por fatos diretamente relacionados à atuação dos advogados constituídos do acusado no curso deste processo, circunstância que não me permite atuar com a plena serenidade exigida pela função de presidente do Tribunal do Júri”, diz trecho da última decisão da magistrada ao deixar o processo.
Outro lado
O Primeira Página entrou em contato com a assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para uma manifestação sobre o caso.O TJMT informou que os atos processuais praticados pela magistrada na sessão do júri não serão aproveitados e o julgamento deve iniciar do “zero”. O novo júri será realizado pelo juiz Marcos Faleiros, da 4ª Vara Criminal de Cuiabá.
A reportagem também entrou em contato com o advogado Cláudio Dalledone, que defende o policial Civil Mario Wilson para um posicionamento sobre a data do novo júri. Segundo Dalledone a expectativa da equipe de defesa do investigador Mário é que o júri se realize conforme a lei.
“A lei determina que o Tribunal do Júri é um instrumento jurídico de defesa do acusado, não é um instrumento de condenação do Estado. Essa é a primeira exigência da defesa que isso seja respeitado. Em segundo lugar, a defesa vai exigir que os advogados componentes da equipe e a advocacia brasileira estejam respeitados. […] A expectativa da defesa quanto ao mérito da causa é positiva e nós provaremos a ação legítima de Mário, que desgraçadamente teve que puxar o gatilho naquela noite fatídica que culminou na morte trágica do policial Thiago Ruiz”, declarou.
Crime em conveniência de combustíveis
O crime que vitimou o policial militar Thiago de Souza Ruiz ocorreu em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, na capital, em abril de 2023.

O investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi denunciado pelo Ministério Público do Mato Grosso (MPMT) por homicídio qualificado, com motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou com um amigo em uma loja de conveniência, localizada em um posto de combustível. Posteriormente, Mário Wilson chegou ao local e foi apresentado à vítima.
Imagens de câmeras de segurança mostram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Em determinado instante, o policial militar teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apropria do revólver e efetua os disparos que resultaram na morte de Thiago Ruiz.
O julgamento já foi adiado ao menos três vezes por motivos diversos, como renuncia dos advogados do réu às vésperas do julgamento.
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