Quais os riscos da viagem de Lula para encontrar Trump nesta semana?

Nesta quarta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para Washington, nos Estados Unidos, para um encontro com o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, nesta quinta-feira (7).

A reunião entre os líderes, negociada desde janeiro e prevista para março, precisou ser adiada em meio à guerra que os EUA trava contra o Irã e Oriente Médio. Para analistas, o encontro pode beneficiar Lula no período de aproximação das eleições, embora traga alguns riscos.

Lula e Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A nova data do encontro foi anunciada à imprensa nessa segunda-feira (4), com apenas três dias de antecedência, o que é atípico, segundo o analista político norte-americano Brian Winter.

Mas, esse anúncio em cima da hora pode ajudar Lula em um momento de vulnerabilidade interna, em meio aos conflitos no Congresso no período em que as eleições se aproximam. Brian avalia que o presidente brasileiro deve adotar uma postura defensiva no encontro.

Já na visão do cientista político Oliver Stuenkel, a reunião pode levantar temas como transferências por PIX, terras rasas e tarifas, além do combate ao crime organizado, já que o Brasil tenta evitar que os EUA classifiquem facções criminosas brasileiras como terroristas.

O pedido de extradição do ex-deputado federal do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem (PL), também deve fazer parte dos assuntos entre os líderes.

Ramagem deixou a prisão nos Estados Unidos no dia 14 do mês passado, um dia após ter sido preso em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, segundo a Polícia Federal (PF).

Armadilhas de Trump

Ainda segundo Brian Winter, o presidente americano tem histórico de criar ‘armadilhas’ com chefes de governo que recebeu na Casa Branco.

No ano passado, por exemplo, Trump recebeu os presidentes ucraniano, Volodymyr Zelensky, e sul-africano, Cyril Ramaphosa. Em ambas ocasiões, o parlamentar e secretários estadunidenses constrangeram os presidentes com acusações durante entrevistas para a imprensa.

Outro risco, segundo especialistas, é que Lula seja confrontando com questões sobre a postura dos Estados Unidos na guerra do Irã, que ele já criticou.

“Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira”, disse Lula no mês passado em entrevista à TV Cidade.

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