Embora raros, os tumores oculares podem ser agressivos e afetar não só a visão, mas também a vida do paciente. A oncologia ocular é uma subespecialidade da oftalmologia responsável pelo diagnóstico e tratamento de tumores que atingem os olhos e estruturas próximas. Um dos tipos de câncer mais comum nos olhos é o retinoblastoma, que atinge principalmente crianças. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 400 novos casos de retinoblastoma por ano. Por isso, o diagnóstico precoce é ainda mais importante na infância, devido à gravidade da doença.
De acordo com o oftalmologista do Hospital dos Olhos de Cuiabá, Guilherme Garcia Criado, essa área é mais ampla do que muitas pessoas imaginam e envolve não apenas tumores que surgem diretamente nos olhos, mas também casos em que a doença se espalha a partir de outros órgãos.
“Também avaliamos o acometimento ocular secundário a neoplasias sistêmicas, ou seja, quando o câncer se espalha para os olhos, além de efeitos adversos de tratamentos como quimioterapia e radioterapia”, explica o médico.
Entre os tumores mais comuns estão os carcinomas de conjuntiva, que atingem a parte externa do olho, e os melanomas de coróide, considerados um dos principais tipos em adultos.
Os tumores oculares podem surgir em diferentes partes do olho e atingir tanto adultos quanto crianças. No público adulto, o melanoma ocular se destaca pela possibilidade de evolução agressiva. Já nas crianças, a principal preocupação é o retinoblastoma, que exige atenção redobrada por conta da gravidade.
Segundo o especialista, os sinais da doença nem sempre são óbvios, o que pode atrasar o diagnóstico. “Qualquer alteração ocular persistente deve ser investigada”, alerta.
Entre os principais sintomas estão dor e vermelhidão ocular contínuas, redução da visão e o aparecimento de lesões na conjuntiva ou nas pálpebras. Em pacientes que já têm diagnóstico de câncer em outras partes do corpo, esses sinais podem indicar metástase ocular.
Nas crianças, há sinais específicos que merecem atenção imediata dos pais. “O desvio dos olhos, conhecido como estrabismo, o reflexo esbranquiçado na pupila, muitas vezes percebido em fotos com flash, e o crescimento anormal do olho são sinais clássicos que precisam ser avaliados com urgência”, destaca.
O diagnóstico precoce, segundo o médico, é decisivo tanto para preservar a visão quanto para salvar a vida do paciente. “Quando identificamos a doença no início, conseguimos oferecer tratamentos menos invasivos, menos dolorosos e com melhores resultados, além de reduzir o risco de disseminação para outros órgãos”, afirma.
O tratamento dos tumores oculares varia conforme o tipo e o estágio da doença e pode incluir terapias com laser, radioterapia e procedimentos cirúrgicos. Em muitos casos, o acompanhamento é feito de forma integrada, com a participação de diferentes especialistas.
“O manejo costuma ser multidisciplinar, envolvendo oftalmologistas e oncologistas, principalmente quando há relação com uma doença sistêmica”, explica Guilherme Garcia.
Diante de qualquer alteração na visão ou na aparência dos olhos, a recomendação é procurar avaliação especializada o quanto antes. Mesmo sendo raros, os tumores oculares existem e podem ser graves.