Responsável por transformar a luz em imagens para o cérebro, a retina é uma estrutura fina localizada no fundo do olho que é essencial para a visão. Quando ela é afetada por doenças, a perda visual pode ser severa e, em muitos casos, irreversível. Várias dessas condições evoluem de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais.
A preocupação aumenta diante do avanço de doenças crônicas associadas aos problemas de retina. O Brasil tem hoje 16,6 milhões de pessoas vivendo com diabetes, segundo o Atlas Global do Diabetes da International Diabetes Federation (IDF). Já um estudo publicado na revista científica BMC Public Health revela que 20% das pessoas com diabetes no país apresentam algum grau de retinopatia diabética, condição que pode levar à cegueira se não tratada.
Segundo o oftalmologista especialista em retina e vítreo, catarata e refrativa do Hospital dos Olhos de Cuiabá, Breno Marques Silva Azevedo, a retina funciona como o “filme” de uma câmera fotográfica. Nela que a imagem é formada. A luz entra no olho, chega até a retina e ela transforma essa luz em sinais elétricos enviados ao cérebro, que interpreta e forma a imagem que vemos.
Entre as principais doenças que afetam a retina e podem evoluir sem sinais perceptíveis no início estão a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), o descolamento de retina e as oclusões vasculares da retina.
“O grande problema é que muitas vezes, quando os sintomas aparecem — como visão embaçada, manchas, flashes de luz ou perda de visão periférica — a doença já está em estágio mais avançado”, alerta o especialista.
De acordo com o Ministério da Saúde, a retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável e representa uma das complicações mais graves do diabetes.
Para o oftalmologista, o diagnóstico precoce é decisivo. “O exame oftalmológico permite identificar essas doenças antes mesmo de o paciente perceber qualquer alteração visual. Quando descobertas no início, muitas delas têm controle e tratamento. Quando diagnosticadas tardiamente, podem causar perda visual irreversível”, afirma.