Pacientes que buscaram atendimento na saúde pública de Campo Grande encontraram unidades de pronto-atendimento lotadas e com longa espera nesta quarta-feira (15). O desespero de uma mãe que acompanha o estado de saúde da filha de 20 anos, que só piora, é um dos casos registrados.
Rozileide Morais acompanha a filha Kamilly. Na última terça-feira (14), ela foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Leblon e, segundo a família, o diagnóstico foi de meningite. Desde então, a paciente espera atendimento adequado.
“Ela tá com meningite meningocócica. Aí eles querem vaga para Santa Casa para ver que tipo de bactéria que tá nela, para seguir o tratamento.”
Rozileide Morais de Souza, mãe da Kamilly
O problema, segundo a família, é que na UPA a equipe médica alega que não há vaga no hospital.
“Eles falaram que ela deveria estar entubada. Ela não está entubada e tá tudo aberto e miningite tinha que ficar isolado. Ela não está, está entrando idoso, criança ali. E o médico conversou com a gente assim como se tivesse desenganando já, porque não tem vaga.”
Adriana de Andrade, tia da Kamilly
Segundo os parentes, o primeiro atendimento da Kamilly foi em um posto de saúde do bairro Nova Bahia. Ela foi levada para lá pelo namorado depois que a jovem acordou passando mal.

Devido às crises e confusão mental durante a madrugada, a família afirma que, do posto do Nova Bahia, a jovem foi encaminhada para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Afrodite, no bairro Monte Castelo, e lá ficou mais de uma semana sem assistência médica adequada.
“E lá ela ficou uns oito dias lá. E daí como entrou água no pulmão dela, aí trouxeram para cá, o Caps trouxe para cá de ambulância. E aqui que foi constatado pelo exame. Só que no CAPS não foi feito nenhum exame nela.”
Adriana de Andrade, tia da Kamilly
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para responder sobre a quantidade de pessoas que aguardam na fila de regulação, quando a paciente será transferida, por que a paciente não está isolada e se os primeiros atendimentos serão apurados, mas não recebemos respostas sobre o caso até o fechamento da matéria.
Sobre as unidades lotadas em Campo Grande, a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) confirmou o elevado fluxo de paciente, mas afirmou que as equipes seguem comprometidas com o atendimento humanizado e de qualidade. Segue nota:
Destacamos que a unidade se encontrava superlotada, cenário que também foi observado em diversas outras unidades de saúde do município, em decorrência do elevado fluxo de pacientes durante todo o dia. Esse aumento significativo na procura por atendimento impacta diretamente a capacidade de resposta das equipes.
Apesar da alta demanda e o impacto nesse contexto, as equipes seguem comprometidas com a prestação de um atendimento humanizado e de qualidade à população, atuando de forma contínua e dedicada, adotando todas as medidas necessárias para assegurar o acolhimento e a assistência aos usuários.