“O agro é feito de pessoas e não só de números”, aponta Guta Alonso

Dando continuidade à série de episódios especiais gravados durante a 86ª Expogrande, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande (MS), o podcast Agro de Primeira levou ao ar mais uma edição dedicada a discutir o presente e o futuro do agronegócio brasileiro. 

Nesta segunda gravação do especial direto da feira, os apresentadores Edevaldo Nascimento e Tati Scaff receberam a pecuarista e doutora em Reprodução Animal pela USP, Maria Augusta Alonso, mais conhecida como “Guta Alonso”, referência nas áreas de genética bovina e equina. (Assista ao episódio completo no YouTube ou ouça no Spotify do Agro de Primeira)

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A conversa abordou a trajetória profissional de Guta Alonso no agro, os desafios da sucessão familiar, a importância da genética bovina PO, a leitura dos ciclos do mercado pecuário, além do trabalho altamente especializado com reprodução e criação de cavalos de esporte, sempre com foco em gestão, bem-estar animal e visão estratégica para o agro.

Médica-veterinária, mestre e doutora pela Universidade de São Paulo, Guta construiu uma carreira que une conhecimento científico e prática no campo.

Genética bovina

Um dos principais eixos da conversa foi o papel da genética bovina PO diante do atual ciclo da pecuária. Guta explicou o trabalho desenvolvido na Fazenda Elge, onde atua com a tradicional linhagem Lemgruber de Nelore, um rebanho fechado reconhecido pela rusticidade, eficiência a pasto, boa habilidade materna e docilidade.

Guta defende que o bem-estar animal define produtividade e futuro no agro. (Foto: Divulgação – Guta Alonso)

Destacando a necessidade em produzir genética funcional e adaptada à realidade do produtor brasileiro, observando a importância do planejamento estratégico para aproveitar os ciclos positivos do mercado pecuário.

“Não basta produzir bezerro, é preciso produzir um bom bezerro, que seja eficiente e ajude o produtor a fechar a conta”, ressaltou. 

Reprodução equina e bem-estar animal

Além da produção de bovinos, Guta também apresentou detalhes sobre o trabalho com equinos de esporte, especialmente cavalos de salto.

Genética precisa funcionar na realidade do produtor. (Foto: Reprodução)
Genética precisa funcionar na realidade do produtor. (Foto: Reprodução)

Em sua central de reprodução, ela acompanha todo o ciclo dos animais, desde a transferência de embriões e o pré-natal das éguas até a doma, a fase esportiva e a aposentadoria dos cavalos. Segundo a pecuarista, o bem-estar animal é um pilar fundamental do trabalho.

“O cavalo de esporte tem vida atlética, com acompanhamento nutricional, sanitário e manejo rigoroso em todas as fases”, explicou.

Ela destaca ainda a responsabilidade técnica pelo animal e o vínculo construído com os proprietários que faz toda a diferença.

Sucessão familiar

Além dos aspectos técnicos, a conversa avançou para temas estruturais do setor, como sucessão familiar, gestão de pessoas e comunicação. Para Guta Alonso, um dos grandes desafios atuais do agronegócio está na relação humana.

Segundo ela, é necessário planejamento e profissionalismo para uma sucessão familiar ideal,  com a propriedade estruturada como empresa, independentemente de os herdeiros escolherem ou não seguir carreira na área rural.

Guta Alonso fala sobre gestão e sucessão no campo. (Foto: Thauana Luares)
Guta Alonso fala sobre gestão e sucessão no campo. (Foto: Thauana Luares)

Por fim, Guta reforça a importância da comunicação como ferramenta para aproximar o campo da cidade. Para ela, abrir as porteiras e mostrar a realidade do produtor rural é fundamental para fortalecer o setor e construir relações de confiança com a sociedade.

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