O avanço da safra de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul deve consolidar um novo marco para o setor de bioenergia. Com moagem estimada em 52 milhões de toneladas na safra 2025/2026, o Estado projeta atingir produção recorde de 5 bilhões de litros de etanol, volume equivalente a cerca de 12% de todo o biocombustível produzido no Brasil.
Os dados foram apresentados durante a abertura da 4ª Expocanas, realizada em Nova Alvorada do Sul, principal vitrine tecnológica da cadeia sucroenergética sul-mato-grossense.
Segundo o presidente da Biosul, Amaury Pekelman, o desempenho reflete um ciclo consistente de expansão produtiva e ganhos de eficiência ao longo das últimas duas décadas.
“Nos últimos 20 anos, esse crescimento foi enorme. Duas décadas atrás, a quantidade de combustível produzido aqui era de 500 milhões de litros. A gente também cresceu em termos de produção de cana. O Estado produzia 10 milhões de toneladas há 20 anos. Agora, estamos com uma produção de 52 milhões de toneladas. É um crescimento vertiginoso que mostra que Mato Grosso do Sul está fazendo o trabalho certo. A parceria entre o setor de bioenergia, o Sistema Fiems e o governo do Estado faz com que, efetivamente, a gente tenha esse grande crescimento e esteja abastecendo o Brasil todo”, destacou.
Qualificação e tecnologia sustentam avanço do etanol
O ganho de produtividade que sustenta a safra recorde está diretamente ligado à qualificação da mão de obra e à incorporação de tecnologia nas usinas.
A formação de profissionais e o desenvolvimento de soluções industriais por meio do Sesi e do Senai, tem papel estratégico ao oferecerem programas de aprendizagem para jovens e capacitações técnicas voltadas às demandas específicas das usinas.
A atuação integrada com o setor produtivo, incluindo fóruns permanentes de discussão e uso de unidades móveis dentro das indústrias, tem permitido respostas mais rápidas às necessidades do segmento — fator considerado essencial para manter o ritmo de crescimento do etanol em MS.
Etanol competitivo e com protagonismo na transição energética
Além do avanço produtivo, o etanol segue competitivo frente aos combustíveis fósseis. Atualmente, o biocombustível apresenta preço médio cerca de R$ 2 inferior ao da gasolina, ampliando sua atratividade para o consumidor.

O protagonismo do etanol também se fortalece no cenário de transição energética. O setor já projeta novos usos, como combustível sustentável para aviação e transporte marítimo, além da expansão do biogás e do biometano para frotas urbanas.
Outro vetor de crescimento é o etanol de milho, que já representa 44% da produção estadual e posiciona Mato Grosso do Sul como o segundo maior produtor nacional dessa modalidade.
Bioenergia no centro da estratégia de crescimento
O avanço do etanol está alinhado à estratégia do Estado de se consolidar como referência em sustentabilidade e industrialização da produção agropecuária.
O governo estadual destaca que a bioenergia é peça-chave para atingir a meta de neutralidade de carbono até 2030, ao mesmo tempo em que impulsiona investimentos, geração de empregos e renda.
Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 22 usinas em operação, todas com cogeração de bioeletricidade, sendo que 14 delas já exportam energia excedente para o sistema nacional.
MS em destaque no cenário nacional do etanol
- 4º maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil
- 4º maior produtor de etanol do país
- 5º maior produtor de açúcar
- 2º maior produtor de etanol de milho
- 44% da produção estadual de etanol já vem do milho
Amaury Pekelman já participou do podcast Agro de Primeira MS e falou sobre a importância das fontes renováveis de energia para a economia e meio ambiente.