O avanço da colheita de soja já pressiona para cima os preços do frete agrícola no Brasil, conforme aponta o Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A tendência, típica do primeiro bimestre, ocorre em um momento de expectativa de safra recorde e pode ganhar força nos próximos dias diante da disparada recente do petróleo no mercado internacional.
Segundo a Conab, o início mais intenso da retirada do grão das lavouras elevou a demanda por transporte rodoviário nas principais rotas do país. A produção nacional de soja está estimada em 178 milhões de toneladas, volume que amplia a pressão sobre a logística justamente no período de pico do escoamento.
O relatório, divulgado nesta segunda-feira (2), mostra que a dinâmica é puxada principalmente por Mato Grosso, maior produtor de soja do país. Em janeiro, cerca de um terço da safra estadual já tinha sido colhida, e fevereiro deve concentrar volume ainda maior, próximo de 50 milhões de toneladas.
Além da soja, o mercado ainda lida com grande oferta de milho remanescente da safra passada. A disputa simultânea por caminhões e espaço nos corredores logísticos elevou as cotações do frete rodoviário.
MS 📈
Demanda firme, sustentada por exportações e compras internas.
DF 📊
Aumentos generalizados em janeiro frente a dezembro, refletindo custos maiores e demanda sazonal forte.
PI 🌾
Mercado ainda morno, mas com alta média de 15% nas rotas e expectativa de aceleração com a colheita.
GO 🚛
Intensidade moderada até janeiro, com risco de forte pressão logística a partir da 2ª quinzena de fevereiro.
O crescimento no preço do frete não se restringe a Mato Grosso, atingindo também outras regiões do país. Na contramão, Bahia e Maranhão registraram estabilidade, enquanto São Paulo teve queda em janeiro por demanda fraca, um quadro que pode mudar com o avanço da soja.
Exportações mantêm ritmo
No comércio exterior, os embarques de milho somaram 4,2 milhões de toneladas em janeiro, acima do mesmo mês do ano anterior. O chamado Arco Norte respondeu por 44,7% do escoamento, seguido pelo Porto de Santos (36,9%).
Já as exportações de soja alcançaram 1,8 milhão de toneladas no mês, com liderança do Porto de Santos (35,3%), seguido por Paranaguá (34%). O desempenho visto nos portos aponta para uma pressão ainda maior da infraestrutura logística, em especial no momento de pico da colheita.
Petróleo: novo fator de risco
Além do calendário agrícola, o custo do frete pode sofrer nova rodada de alta por conta do mercado internacional de energia. Os preços do petróleo dispararam após a escalada de tensão no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O barril do tipo Brent chegou a subir mais de 13% na abertura das negociações e era cotado perto de US$ 78,61 na manhã desta segunda-feira (2), o maior nível desde junho de 2025. O temor do mercado é de restrições no Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
No Brasil, o impacto mais direto tende a vir pelo diesel, principal fonte de custo do transporte rodoviário. Mesmo que o repasse não seja imediato, a instabilidade no preço do petróleo deve causar reajustes nas refinarias e nas bombas.
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