Tecnologia com ozônio reduz fungos e pragas em grãos de milho

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Milho e Sorgo (Embrapa), em parceria com a empresa Nascente (NCT), lançou o SiloBio, um silo biorreator que utiliza gás ozônio para eliminar fungos, micotoxinas (metabólitos tóxicos naturais produzidos por fungos) e pragas em grãos. A tecnologia, apresentada nesta semana, visa a garantir a segurança sanitária de rações animais e elevar a qualidade da produção em larga escala de forma sustentável.

Tecnologia com ozônio reduz micotoxinas em grãos. (Foto: Marco Aurélio Pimentel – Embrapa)

A tecnologia baseia-se na detoxificação por ozônio. Pesquisadores da Embrapa iniciaram os estudos entre 2012 e 2013, focados na redução de fumonisinas – toxinas produzidas por fungos, comuns em milho.

“A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”.

Pesquisador líder do projeto, Marco Aurélio Pimentel

Tecnologia com SiloBio

O silo biorreator é um equipamento que combina armazenamento com um ambiente controlado para tratar grãos industrialmente. O processo utiliza a ação natural do ozônio para higienizar a carga, eliminando também resíduos químicos.

Segundo o pesquisador, a aplicação a seco em protótipos de laboratório apresentou resultados positivos, com a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. 

“Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, explicou Pimentel.

Biorreator trata grãos sem comprometer qualidade. (Foto: Marco Aurélio Pimentel - Embrapa)
Biorreator trata grãos sem comprometer qualidade. (Foto: Marco Aurélio Pimentel – Embrapa)

O equipamento promove a homogeneidade do gás na massa de grãos por meio de uma rosca helicoidal e anéis injetores. A eficiência do processo foi validada comparando os resultados com os Limites Máximos Tolerados (LMT) estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o líder do projeto, os testes confirmaram que a tecnologia atinge os padrões exigidos para a alimentação animal e humana. 

“Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, afirmou Marco Aurélio Pimentel.

SiloBio garante mais segurança à ração animal. (Foto: Marco Aurélio Pimentel - Embrapa)
SiloBio garante mais segurança à ração animal. (Foto: Marco Aurélio Pimentel – Embrapa)

Novidade

Embora o tratamento com ozônio já seja conhecido globalmente, a inovação da NCT e da Embrapa reside na engenharia do processo de aplicação. O foco inicial é o milho, mas o SiloBio já apresenta avanços para soja, sorgo e farelos.

A estimativa é que o produtor recupere o investimento no equipamento em menos de dois anos, devido à redução de insumos químicos e à melhor qualidade do produto final.

“As tecnologias precisam entregar valor ao produtor e demonstrar viabilidade econômica comprovada. Isso aumenta o potencial de adoção pelo mercado”, reforça Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo.

O lançamento oficial A apresentação ocorrerá em 11 de março de 2026, às 8h, durante a comemoração do 50º aniversário da Embrapa Milho e Sorgo.

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