veja o que cada estado defende

Sob a condução do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, lideranças de Mato Grosso e do Pará participam nesta quarta-feira (10) de uma audiência de conciliação em Brasília para discutir a disputa territorial envolvendo uma área de aproximadamente 22 mil km² na divisa entre os dois estados. O impasse se concentra na região da Cachoeira das Sete Quedas, localizada entre o Norte de Mato Grosso e o Sul do Pará.

Área que Mato Grosso buscar rever na decisão que deu a área ao Pará. – Foto: Reprodução/TV Liberal

Os três senadores de Mato Grosso já falaram na audiência que ocorre na Primeira Turma da Suprema Corte. Veja vídeo:

O que cada Estado defende?

O Pará já declarou que não está disposto a ceder terras para Mato Grosso. Entre os pontos defendidos estão: perda de arrecadação em áreas produtivas, insegurança jurídica sobre títulos de terra e propriedades rurais e impactos diretos para moradores que vivem há décadas nas regiões contestadas.

Já Mato Grosso alega que os paraenses da região das Sete Quedas buscam atendimentos básicos em Mato Grosso devido à dificuldade do acesso a Belém, por exemplo. Este é um dos principais pontos do pedido de revisão dos limites.

Em Paranaíta, o prefeito Osmar Moreira afirma que o município gasta entre R$ 300 mil e R$ 350 mil por mês para atender moradores que vivem na área que oficialmente pertence ao estado do Pará.

Por esse motivo, segundo ele, a Prefeitura ingressou com pedido no STF, solicitando o ressarcimento de R$ 29 milhões referentes aos recursos já investidos pelo município no atendimento a essas comunidades, além de repasse mensal para custear a continuidade dos serviços.

Reproducao Tv Liberal
Eventual revisão dos limites entres os estados vai afetar diversas regiões do Pará. – Foto: Reprodução/TV Liberal

O que já foi proposto?

O senador Wellington Fagundes (PL), que foi autorizado a participar da audiência pelo ministro Flávio Dino, propôs a criação de uma Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) entre os estados.

A Ride, na prática, funciona como um mecanismo de cooperação entre governos, neste caso, Mato Grosso e Pará. Ele tem por objetivo promover o desenvolvimento regional e reduzir desigualdades.

O parecer apresentado pelo senador mato-grossense deixa claro que a criação de uma Ride não garante fundo financeiro próprio nem repasses do governo federal para a região.

Os principais instrumentos jurídicos para a criação e execução de políticas públicas são os convênios, os contratos de programas, os consórcios públicos, acordos de cooperação técnica e os contratos de repasse.

Disputa territorial entre MT e PA

O que cada estado defende na audiência no STF

Mato Grosso

Defende a revisão dos limites na região da Cachoeira das Sete Quedas, área oficialmente pertencente ao Pará.

  • Moradores da área buscam serviços públicos em Mato Grosso.
  • Paranaíta afirma custear atendimentos de saúde e educação.
  • Prefeitura estima gasto mensal entre R$ 300 mil e R$ 350 mil.
  • Município pede ressarcimento de R$ 29 milhões ao STF.

Pará

Afirma que não pretende ceder terras a Mato Grosso e defende a manutenção dos limites atuais.

  • Aponta risco de perda de arrecadação em áreas produtivas.
  • Alega insegurança jurídica sobre títulos de terra.
  • Cita impactos para propriedades rurais já consolidadas.
  • Defende moradores que vivem há décadas nas regiões contestadas.

Área em disputa tem cerca de 22 mil km², na divisa entre o Norte de Mato Grosso e o Sul do Pará.

O que está em jogo?

Em maio de 2023, Mato Grosso voltou a questionar uma decisão unânime do STF de 2020, que manteve a demarcação de divisa estabelecida oficialmente em 1922.

Audiência sobre a disputa territorial entre Mato Grosso e Pará. - Foto: Google Maps
Limites geográficos atuais entre Mato Grosso e Pará definido pelo Supremo Tribunal Federal. – Foto: Google Maps
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