Um resultado considerado excepcional de uma vaca na pecuária de corte brasileira colocou Mato Grosso em evidência no cenário da biotecnologia reprodutiva no campo. A doadora Nelore Dully FIV FCV alcançou 724 oócitos viáveis em uma única aspiração, realizada na Fazenda Nelore Vera Cruz, em Barra do Garças (MT). O número supera em cerca de 12 vezes a média da raça Nelore, estimada em aproximadamente 60 oócitos por procedimento.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o técnico da Trans Ova, Reinaldo da Silva, conta que o desempenho da vaca doadora foge completamente do padrão esperado. “Levando em consideração a média da raça, é um animal que produziu em torno de 12 vezes mais que um animal convencional”, destacou o técnico.
Na prática, isso significa uma capacidade muito maior de gerar descendentes com características superiores em menos tempo. Os ovócitos são células reprodutivas femininas ainda imaturas, produzidas nos ovários e são eles que carregam o material genético da vaca. após maturação e fertilização em laboratório, dão origem aos embriões que serão transferidos para vacas consideradas receptoras.
Com esse volume de oócitos, o produtor ganha também mais possibilidades de cruzamento genético. De acordo com os técnicos envolvidos, seria possível realizar até 18 acasalamentos diferentes com a mesma doadora, o que pode resultar na produção de aproximadamente 200 a 220 embriões em um único ciclo.
Esse leque de combinações permite direcionar a genética conforme objetivos específicos, como ganho de peso, fertilidade ou qualidade de carcaça. A expectativa é de que ela produza mais de 100 bezerros anuais, ampliando a disseminação de sua genética no rebanho.
Para Denilson Souza, também técnico da Trans Ova, o resultado representa um marco não apenas técnico, mas também pessoal.
“É algo que a gente já vinha buscando. No ano passado tivemos um recorde de 4.500 oócitos coletados em um único dia, e agora encontramos uma doadora com capacidade extraordinária. O último recorde individual que eu tinha conhecimento era de 510”, afirmou o técnico também no vídeo publicado.
Apesar da importância do manejo e da tecnologia aplicada, os especialistas ressaltam que o principal mérito está na genética do animal. “O recorde é dela, da raça Nelore, que já apresenta uma boa capacidade reprodutiva. Mas também é fundamental estar preparado tecnicamente para realizar esse tipo de procedimento com eficiência”, completou Souza.
O podcast Agro de Primeira MT já falou sobre melhoramento genético na pecuária. Clique aqui para a acompanhar a entrevista com a médica veterinária e especialista em reprodução animal, Eloísa El Hage.
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