A Justiça de Mato Grosso marcou sessão do Tribunal do Júri da empresária Inês Gemilaki, o filho dela Bruno Gemilaki Dal Poz, e de Eder Gonçalves Rodrigues, acusados de dois homicídios e duas tentativas no caso que ficou conhecido como a Chacina de Peixoto de Azevedo (MT), em 21 de abril de 2024. O julgamento deve começar às 8 horas, do dia 18 de novembro deste ano, no Fórum de Sinop (MT).
A decisão é desta segunda-feira (28), da juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, da 1ª Vara Criminal de Sinop. Embora o crime tenha ocorrido em Peixoto, a Justiça atendeu pedido da defesa dos réus pelo desaforamento, ou seja, mudança de local do julgamento, que por regra deve ocorrer na mesma cidade em que os fatos ocorreram.
A sessão ocorrerá presencialmente e contará com a participação da acusação, das defesas, dos réus e dos jurados. Para o julgamento, foram estabelecidas regras específicas de acesso e segurança.
O plenário do Fórum possui capacidade para 60 pessoas, sendo que 25 vagas serão destinadas a familiares e pessoas próximas das vítimas e dos réus. As 30 vagas restantes serão destinadas ao público em geral, mediante inscrição.
Está proibida a entrada no local com celulares, smartphones, gravadores, notebooks e outros aparelhos eletrônicos, com exceção dos equipamentos utilizados diretamente nos trabalhos do julgamento.
A Polícia Militar deverá reforçar a segurança do local e das áreas próximas ao Fórum durante a sessão.
A Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso será o único órgão autorizado a realizar gravações de áudio e vídeo da sessão. Os demais veículos de comunicação não podem gravar o plenário.
Prisões seguem mantidas até o julgamento
Na decisão, a magistrada também revisou as prisões preventivas dos três. Após analisar as medidas cautelares, a juíza concluiu que permanecem presentes os requisitos para a manutenção da prisão preventiva e afirmou não ter ocorrido fato novo que justificasse a liberdade dos réus.
Com isso, Bruno, Éder e Inês permanecem presos até o julgamento.
‘Chacina de Peixoto de Azevedo’
Conforme a denúncia do Ministério Público (MPMT), os três respondem por homicídios qualificados por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de tentativas de homicídio com as mesmas qualificadoras.
As vítimas fatais são Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo. Também foram atingidos o padre José Roberto Domingos e o dono da casa, Erneci Afonso Lavall, que sobreviveram.
Veja vídeo do ataque a tiros.
Segundo o MPMT o trio de acusados teria invadido a residência de Erneci Afonso Lavall durante uma confraternização. Na ocasião, foram efetuados diversos disparos de arma de fogo contra as pessoas que estavam no local.
A investigação apontou que a ação estaria relacionada a uma dívida envolvendo Inês Gemilaki e Erneci, referente a locação de um imóvel de Enerci Afonso. Inês havia morado em um imóvel pertencente à vítima, que posteriormente entrou com uma ação de cobrança.

Conforme consta no processo, Inês teria entrado no imóvel acompanhada de Bruno, enquanto Éder teria dirigido o veículo utilizado pelo grupo. A denúncia afirma que Inês efetuou disparos que atingiram as quatro vítimas.
O documento também relata que Bruno estaria armado com uma espingarda calibre 12 e teria dado suporte à mãe durante a ação. Já Éder é apontado como responsável por dirigir o veículo e fazer a retaguarda.
Os três foram pronunciados pela Justiça e, após recursos das defesas, a decisão de pronúncia foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O Superior Tribunal de Justiça não conheceu dos recursos apresentados posteriormente, e o processo retornou à Justiça de Mato Grosso.
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