A pré-candidata a deputada estadual e secretária de planejamento urbano de Sinop (MT), Scheila Pedroso (Podemos), denunciou em sua rede social ser vítima de violência política de gênero por parte de homens moradores da cidade. Áudios que circulam em grupos de WhatsApp expõem ataques pessoais, induzindo que sua atuação política se deve a homens com quem se relacionou.
Em vídeo publicado na noite de domingo (8), no Dia Internacional da Mulher, Scheila aparece visivelmente abalada e narra que passou a semana pensando nos áudios que recebeu e cita que, diante de novos áudios atacando a ela e outras mulheres, resolveu se pronunciar publicamente sobre o ocorrido.
“Essas falas me marcaram a semana inteira. Eu tive receio de vir me expor para falar sobre esse assunto e, como se não bastasse já ter recebido esses ataques, ter passado a semana inteira pensando sobre isso, eu encerro a noite de hoje recebendo mais áudios dessa pessoa em um grupo que está rolando na cidade. Não sei por qual motivo, mas vêm ataques de cunho extremamente pessoal contra minha honra. Na semana passada, eu recebi áudios de um homem me atacando de forma brutal, talvez pelo simples fato de eu ter me posicionado como pré-candidata”, conta.
Durante o desabafo, Scheila, que também é ex-primeira dama de Sinop, expõe um dos áudios onde um homem diz “se eu consegui o tanto de voto de gente que pegou a ‘shei lá’ aí eu tô rico, tô eleito, posso ir pra prefeito. Tem promotor, juiz, desembargador, bombeiro, polícia, tem tudo”, diz um trecho.
“Eu recebi informações de que o próximo Natal de Sinop vai ser o mais barato que vai ter porque só vai ter decoração na cabeça do prefeito”, cita outro homem.
Scheila ainda menciona que os ataques também seriam contra outras mulheres, inclusive mulheres “que não estão mais aqui para se defender”.
“É uma reflexão que fica, para ficar na mente de cada um. O que está faltando para a gente ter uma sociedade que respeite as mulheres, suas escolhas? Quando não se tem o que falar sobre o trabalho dela, das ações dela no cenário político, o que resta é atacar a honra. Não consigo mais suportar essa dor, não só por mim, mas por outras, que vire força para que eu lute ainda mais”, conclui.
Até o momento, não foram divulgados nomes ou identificados os autores dos áudios. Segundo a assessoria de Scheila, um boletim de ocorrência será registrado para que sejam adotadas as medidas cabíveis.
Por meio de nota, o Podemos, partido ao qual Scheila se filiou recentemente, repudiou os ataques “sórdidos e criminosos”, como rotulou, contra a filiada. O partido ainda cita ser “inaceitável que, em pleno 2026, a participação feminina na política ainda seja respondida com baixaria e tentativas de silenciamento” e assegura que não aceitará que o debate público seja “rebaixado ao desrespeito moral”.
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