Estresse é um termo científico que se tornou popular, muitas vezes ultrapassando a fronteira de seu conceito. Trata-se de uma força de ação física ou psíquica sobre o organismo vivo, que, para enfrentá-la, disponibiliza uma força contrária de reação do mesmo porte.
É algo que faz parte do cotidiano da humanidade e que o equilíbrio ou desequilíbrio dessas forças é que vai dizer se a situação está dentro do normal ou já passou ao estado patológico.
A ação e reação de forças estão presentes em nossas vidas praticamente todos os dias. Buscamos manter o equilíbrio dessas forças frente as demandas do cotidiano, o que nem sempre é uma tarefa fácil. Esse movimento de ação e reação, desequilíbrio e equilíbrio é que conhecemos como estresse e como se trata de um movimento de alta recorrência, podemos dizer que vivemos estressados.
A política sempre foi, e hoje muito mais, um grande produtor de estresse, algo que nos deixa irritados e ansiosos. As notícias políticas, os debates, os insultos de cada lado, as verdades e as mentiras produzidas por todos eles desequilibram nossa atividade mental, que felizmente se restabelece antes de chegar ao colapso psíquico.
O sinal de alerta surge quando o estresse deixa de ser uma reação pontual e passa a dominar nosso dia. É quando aparecem sintomas maiores e preocupantes, como pensamentos intrusivos sobre política, necessidade de checar notícias a todo instante, atenção concentrada no assunto político.
O sono, extremamente importante para o equilíbrio mental, é precocemente afetado, com dificuldades para iniciá-lo ou com interrupções repetidas durante a noite, tendo como resultado um sono não reparador. Não para por aí, a queda de rendimento, a procrastinação, abandono de atividades prazerosas, isolamento social, afastamento de amigos e familiares para evitar maiores conflitos e mais sofrimento.
Tudo parece transformar-se em discussão política. O bombardeio de forças é tão intenso que a gravidade do sofrimento é inevitável. O que antes parecia apenas irritabilidade com os problemas políticos, agora é exaustão, podemos ter atingido aquilo que deveríamos ter evitado, nosso colapso psíquico.
É óbvio que o estresse provocado pela política não é, por si só, uma doença, sempre ocorreu, mas raramente nessas proporções, como se estivéssemos deixando de ser adversários e nos tornando inimigos uns dos outros.
No fundo não é o que desejamos, por isso nosso corpo reage, nossa mente adoece. Concordamos com o posicionamento de que na vida em sociedade há discordâncias e concordâncias e que estas são necessárias para o desenvolvimento social; o que não pode ocorrer é que os pensamentos contrários se transformem em medo e ódio.
As redes sociais favorecem nosso adoecimento e as mídias oficiais pouco fazem para diminuí-lo, uma vez que deveriam ser menos sensacionalistas e completamente imparciais. Vale a pena reduzir o consumo de conteúdo político, principalmente por meio das redes sociais, isso não significa fingir que a política não existe, mas não se permitir ser dominado pela polarização maldosa exercida por ela.
Reconhecer os limites é um ato de cuidado individual e coletivo. Quando não conseguimos evitar o adoecimento, a ajuda profissional psicológica e/ou psiquiátrica passa a ser necessária. Tudo pode ficar melhor, quando existe mais tolerância. Precisamos de menos estresse e mais escuta. Queremos paz!