Projeto cria ‘recompensa’ de até R$ 100 por javali abatido; entenda a proposta

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê a criação de uma recompensa de até R$ 100 por animal de espécie exótica invasora eliminado no Brasil. A medida tem como um dos principais alvos o javali, espécie introduzida no país que é considerada invasora e está associada a impactos ambientais, econômicos e sanitários.

Javali são espécies consideradas invasoras – Foto: Reprodução

A proposta estabelece a criação do Fundo Nacional de Incentivo ao Controle de Fauna Exótica Invasora (FNICFEI), que teria a função de financiar, incentivar e premiar ações tidas como “de controle e erradicação” dessa espécie. O pagamento seria feito por espécime eliminado, mas o valor não necessariamente seria fixo em R$ 100.

Segundo o texto, a recompensa seria de “até R$ 100,00 (cem reais)” por animal. O valor poderia variar de acordo com a espécie, o porte e o grau de impacto ambiental. A definição e a atualização dos valores ficariam a cargo dos ministérios responsáveis pelas áreas de Meio Ambiente e Agricultura, conforme critérios técnicos.

A proposta é de autoria do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) e está registrada como Projeto de Lei 3.895/2025. Na Câmara, o texto aguarda parecer do deputado Dr. Luiz Ovando (PP-MS) na Comissão de Saúde e ainda precisa passar pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça (CCJ).

A proposta também se conecta a uma normativa do Ibama que já reconhece o javali-europeu (Sus scrofa) como espécie exótica invasora nociva. A Instrução Normativa Ibama nº 3, de 31 de janeiro de 2013, declara a nocividade do animal em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico.

O texto cita impactos sobre espécies nativas, seres humanos, meio ambiente, agricultura, pecuária e saúde pública, além de registros de ataques e da possibilidade de transmissão de doenças.

A mesma norma autoriza o controle populacional de javalis vivendo em liberdade em todo o território nacional. Entre as formas de controle previstas estão a perseguição, o abate, a captura seguida de eliminação e a eliminação direta dos espécimes.

A normativa, no entanto, faz uma ressalva para a população de porcos ferais do Pantanal, conhecidos como porco-monteiro ou porco-do-pantanal, que não estão abrangidos pela autorização prevista no texto.

Quem poderia receber os R$ 100?

O projeto não prevê o pagamento para qualquer pessoa que matar um animal considerado invasor. A participação ficaria restrita a pessoas e entidades habilitadas de acordo com a legislação.

O texto determina que poderiam participar “caçadores pessoas físicas registradas e com Certificado de Registro válido nos órgãos competente”, além de entidades de caça registradas e autorizadas. Também poderiam participar profissionais e instituições que cumprissem exigências técnicas e sanitárias definidas.

A proposta ainda prevê mecanismos para comprovar a eliminação dos animais e disciplinar o pagamento da recompensa. Esses procedimentos seriam definidos pelo Poder Executivo caso a proposta seja aprovada.

javali
O javali também é apontado como um desafio para produtores rurais por conta da destruição de lavouras. – Foto: Reprodução

Javali é o principal exemplo

Embora o projeto trate de fauna exótica invasora de maneira mais ampla, o javali aparece como um dos principais exemplos da justificativa. O texto argumenta que o controle dessas espécies precisa ocorrer de forma permanente e organizada.

O projeto também prevê que a eliminação de espécies exóticas invasoras possa ser autorizada em todo o território nacional, conforme regulamentação.

Outra parte da proposta que chama atenção é a possibilidade de aproveitamento da carne dos animais eliminados. O texto estabelece que a carne poderia ser destinada ao consumo humano desde que passasse por inspeção ambiental e liberação sanitária.

De onde viria o dinheiro?

O fundo proposto teria diferentes fontes de receita. Entre elas estão recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente, doações, subvenções, contribuições e valores provenientes de convênios e contratos voltados ao controle de espécies invasoras.

O projeto também prevê a utilização de recursos relacionados às Taxas de Fiscalização de Produtos Controlados pagas por pessoas físicas e jurídicas registradas como caçadores ou entidades de caça.

A justificativa do PL aponta ainda que o modelo permitiria financiar a política sem a criação de novos tributos.

Projeto ainda precisa avançar na Câmara

O PL 3.895/2025 ainda não virou lei e, portanto, não há atualmente um pagamento de R$ 100 por javali abatido. O valor é uma previsão máxima contida na proposta e dependeria de regulamentação e dos critérios definidos pelos órgãos responsáveis.

Como tramita em caráter conclusivo, a proposta pode ser aprovada pelas comissões sem passar pelo Plenário da Câmara, caso não haja apresentação de recurso para que seja votada pelos deputados.

  1. Ciclista faz pausa obrigatória após porcos-do-mato tomarem estrada em MT; veja vídeo

  2. Cateto albino é visto em lavoura de algodão em MT; biólogo explica por que é raro

  3. Praga do século destrói lavouras e áreas preservadas sem dó; conheça a espécie

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia