Presidente do TJMT rebate juíza no CNJ por crítica à nomeação de substituto

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), José Zuquim Nogueira, defendeu no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que a escolha pela convocação do juiz Antônio Veloso Peleja Júnior para assumir vaga do desembargador afastado, Dirceu dos Santos, se deve ao seus “atributos” na magistratura e pela “situação excepcional” ocorrida.

Os esclarecimentos se deram após a juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá, apresentar reclamação administrativa no CNJ contra Zuquim, sob alegação de que a nomeação do magistrado fora do processo seletivo para lista de substituições teria sido utlizado critério “puramente pessoal”.

Juíza Ana Cristina Mendes recorre no CNJ contra nomeação de magistrado fora de lista. – Foto: Instagram

No documento, Zuquim argumenta ser inverídica a afirmação de que teria designado o juiz por “determinação verbal” e que esta informação teria sido introduzida no debate público de “forma irresponsável”.

O desembargador sustenta que no dia 2 de março, em reunião de urgência com membros do Conselho da Magistratura, defendeu como necessária a convocação de Antônio Veloso para cumprir as medidas cautelares determinadas pela Corregedoria Nacional para o afastamento de Dirceu dos Santos.

Segundo ele, o ato seria “iniciativa autônoma do presidente do Tribunal”, não execução de ordem alheia. Além disso, a portaria se refere a situações “previsíveis e programáveis”, como férias, licenças, e participação em eventos.

“O Juiz de Direito Antônio Veloso Peleja Júnior reúne os atributos objetivos que a situação exigia. Ingressou na magistratura em 17 de julho de 1998, acumulando cerca de 28 anos de exercício ininterrupto, com atuação em comarcas de todas as entrâncias do Estado e competências cível, criminal, de infância e juventude, eleitoral e de juizados especiais”, defende Zuquim.

“Esse conjunto de elementos revela um magistrado cuja trajetória é precisamente a de um gestor institucional experiente, familiarizado com os mecanismos internos do Tribunal, com os sistemas eletrônicos, com os processos correicionais e com a interlocução entre instâncias — exatamente as qualidades que a situação excepcional exigia”, complementa.

Juiz Antônio Veloso Peleja Júnior assumiu vaga de desembargador do TJMT. Foto: Alair Ribeiro/TJMT
Juiz Antônio Veloso Peleja Júnior assumiu vaga de desembargador do TJMT. Foto: Alair Ribeiro/TJMT

Impossibilidade de convocação da juíza

O presidente do TJMT ainda cita que a análise de desempenho das unidades judiciárias sob responsabilidade da juíza Ana Cristina Silva Mendes revelou um fator que inviabilizou sua convocação para o segundo grau. Conforme o documento, a magistrada teria processos prioritários sem movimentação e representação por excesso de prazo em curso.

“Os indicadores demonstram, ainda, o perfil oposto ao que a situação excepcional demandava: a designação da Magistrada para conduzir gabinete de segundo grau em circunstâncias institucionalmente sensíveis, exigindo gestão de crise e interlocução permanente com a Corregedoria Nacional, medida incompatível com o interesse público que a substituição visa resguardar”, cita.

Com isso, o desembargador pede que o CNJ reconheça a ausência de irregularidades e se coloca a disposição para qualquer esclarecimento.

Desembargador Jose Zuquim Nogueira
Desembargador José Zuquim Nogueira defende regularidade na nomeação de magistrado. – Foto: Reprodução

Afastamento de Dirceu dos Santos

Segundo investigações do CNJ, foi identificado que Dirceu dos Santos movimentou mais de R$ 14,6 milhões em bens, um número incompatível com os rendimentos declarados oficialmente, nos últimos cinco anos.

Diante das possíveis irregularidades, o ministro Mauro Campbell Marques determinou o afastamento, além de investigações no Tribunal de Justiça, com o auxílio da Polícia Federal.

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