PGR denuncia ao STF lobista investigado por esquema de venda de sentenças que ficou esquelético na prisão

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou nesta quinta-feira (27) denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, e a esposa dele, Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, por suposta participação em um esquema de comercialização de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O processo encontra-se sob sigilo judicial e mais detalhes não foram informados.

O empresário Andreson Gonçalves e a esposa, a advogada Mirian Ribeiro. – Foto: Reprodução

Ao Primeira Página, os representantes da defesa de Andreson e Mirian, os advogados Eugênio Pacelli e Luis Prata, confirmaram a informação. A denúncia vem após quase dois anos de quando o empresário foi alvo da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal.

Para a reportagem Pacelli mencionou que acredita não caber ao Supremo a competência para apreciar os fatos e que a partir de agora, a defesa se manifestará apenas no processo, como convém ao sistema de Justiça.

Ainda de acordo com ele, em manifestação fora da denúncia, a PGR pretende continuar a investigar outros fatos, que, segundo ela, teriam relação com autoridade com foro. Além de Andreson e a esposa, outros nomes são alvos da denúncia.

Em abril deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, determinou a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, que estava anteriormente detido em uma penitenciária federal, em Brasília (DF). Ele não se encontra em prisão domiciliar e pode sair de casa, desde que sob o cumprimento de medidas cautelares.

Na época, o advogado informou que a decisão de Zanin acolheu os argumentos sobre o excesso de prazo da prisão, quando uma prisão preventiva ou temporária se estende além do tempo razoável para a conclusão das etapas processuais.

Com isso, foi determinada a soltura com imposição de medidas cautelares como monitoramento por meio de uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno. Andreson também fica proibido de manter qualquer tipo de contato com outros investigados da Operação.

Alvo de operações anteriores

Investigado nas operações Operação Sisamnes e Operação Ultima Ratio, Andreson é apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores de um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O nome do lobista ganhou repercussão nacional após ele deixar o sistema prisional com aparência extremamente debilitada, depois de perder mais de 30 quilos durante o período preso.

À época, a defesa alegou agravamento do estado de saúde em razão de complicações decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada em 2020, além de crises psicológicas e alimentação inadequada no cárcere.

Polícia penal alega suposto emagrecimento forçado de lobista para obter prisão domiciliar. - Foto: Reprodução
Polícia penal alega suposto emagrecimento forçado de lobista para obter prisão domiciliar. – Foto: Reprodução

Em julho do ano passado, um laudo médico apresentado pela defesa apontou que Andreson estava em estado crítico, o que levou a Justiça a conceder prisão domiciliar em Primavera do Leste.

No entanto, em novembro, ele voltou ao presídio federal de segurança máxima, em Brasília, após ser suspeito de cometer novos crimes durante o período em que estava fora da cadeia.

Esquema investigado

As investigações começaram após a morte do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em frente ao escritório de advocacia em que trabalhava, em dezembro de 2023, no Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Durante perícia no celular da vítima, a Polícia Federal encontrou mensagens e áudios atribuídos a Andreson envolvendo supostas negociações e cobranças relacionadas à obtenção de decisões judiciais favoráveis.

Segundo a PF, o lobista atuava como intermediador entre advogados e magistrados e chegou a ser chamado de “mestre dos magos” em conversas interceptadas.

Na Operação Sisamnes, a Polícia Federal cumpriu mandados contra os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, ambos afastados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

video poeira tangara da serra climatempo
Desembargadores do TJMT investigados por supostas vendas de sentenças passaram a usar tornozeleiras eletrônicas. – Foto: Reprodução

Já a Operação Ultima Ratio resultou no afastamento de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Relatórios da Polícia Federal também apontam que Andreson teria utilizado a empresa Florais Transportes em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à venda de sentenças.

  1. ‘Lobista’ acusado de intermediar venda de sentenças é solto

  2. Defesa contesta ‘jejum’ voluntário e explica magreza extrema de lobista preso

  3. Lobista investigado por venda de sentenças é levado a Brasília; defesa contesta prisão

  4. Lobista envolvido em venda de sentença deixa cadeia e vai para prisão domiciliar

  5. Lobista investigado em esquema de venda de sentença é preso pela PF

  6. Lobista acusado de vender sentenças consegue carne assada na cadeia, mas não a liberdade

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia