Pesquisa em UTI de hospital público de Cuiabá vai investigar impacto dos vínculos familiares no desenvolvimento de bebês prematuros

Uma pesquisa que pretende investigar como a interação entre bebês e familiares pode contribuir para o desenvolvimento psíquico e cognitivo das crianças está sendo implantada no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá. O estudo será desenvolvido na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), com atenção especial aos bebês prematuros.

O projeto ainda está em fase de preparação, com a formação da equipe que atuará na pesquisa. A proposta é observar de que maneira a interação dos bebês internados com pais, mães ou responsáveis de referência pode favorecer o desenvolvimento infantil durante o período de hospitalização.

A pesquisa está ligada ao Projeto Ninho do Bebê, iniciativa inspirada em um trabalho desenvolvido em São José do Rio Preto (SP), que também tem atuação em Presidente Prudente (SP) e Cuiabá.

Profissionais que compõem o Projeto Ninho do Bebê, desenvolvido no Hospital Júlio Muller, em Cuiabá. – Foto: reprodução

Segundo a psicóloga e psicanalista Iêda Maria Mesquita de Moraes, coordenadora do Ninho do Bebê, o trabalho busca ampliar o olhar sobre o desenvolvimento infantil, considerando não apenas os cuidados físicos, mas também os aspectos emocionais e os vínculos construídos nos primeiros meses de vida.

A investigação pretende compreender a importância dessas interações no ambiente hospitalar, especialmente entre crianças que necessitam de cuidados intensivos após o nascimento.

Projeto paralelo já atende 10 crianças fora do hospital

Paralelamente à pesquisa que está sendo implantada no Hospital Júlio Müller, o Projeto Ninho do Bebê já realiza atendimentos a 10 crianças em Cuiabá, por meio do Instituto Acolhe.

Diferentemente da iniciativa hospitalar, esse trabalho é voltado à intervenção precoce com bebês e crianças que apresentam sinais de risco para transtornos do neurodesenvolvimento.

Os atendimentos são realizados fora do hospital e não dependem de uma internação ou de participação na pesquisa. As famílias podem procurar o instituto espontaneamente ou chegar ao projeto por meio de encaminhamento ou recomendação.

A iniciativa busca identificar possíveis dificuldades no desenvolvimento infantil e oferecer acompanhamento especializado às crianças e suas famílias.

Entre os sinais observados estão atrasos na linguagem e na comunicação, dificuldades motoras e sensoriais, alterações na interação social e no brincar, além de dificuldades relacionadas aos vínculos afetivos e ao desenvolvimento emocional.

Esses sinais não representam, necessariamente, um diagnóstico de transtorno, mas podem indicar a necessidade de avaliação e acompanhamento profissional.

O projeto é desenvolvido por uma equipe transdisciplinar, reunindo diferentes áreas do conhecimento para oferecer um acompanhamento integrado, que considera as necessidades de cada criança e de sua família.

Projeto Ninho do Bebe 2
Equipe transdisciplinar discute implantação de projeto em UTI Neonatal de Hospital de Cuiabá. – Foto: reprodução

Equipe reúne profissionais de diferentes áreas

A coordenação do Ninho do Bebê é da psicóloga e psicanalista Iêda Maria Mesquita de Moraes.

A pesquisa conta ainda com a orientação de Larissa Ornellas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), e de Izabella Queiroz, psicóloga, pesquisadora e professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Também integram a equipe as pediatras Hildenete Monteiro Fortes e Rafaella Verlangiere, as fonoaudiólogas Renata Ribeiro Corrêa e Weslaine Gomes, as psicólogas Sandra Galvão e Gabriela Aquino e a fisioterapeuta Naiza Pizatto.

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