organização de show nega culpa, mas PRF cita falhas no acesso dos fãs

A realização do show da banda Guns N’ Roses em Campo Grande, na noite de quinta-feira (9), gerou uma série de transtornos no trânsito e agora provoca um impasse sobre responsabilidades. Enquanto a organização afirma que não tem competência sobre a rodovia onde houve congestionamento, órgãos públicos apontam falhas na logística de acesso ao evento.

A organização do show da banda Guns N’ Roses em Campo Grande divulgou uma nota oficial após as críticas relacionadas ao trânsito intenso que impediu parte do público de chegar ao evento a tempo.

No posicionamento, a empresa afirma que não tem responsabilidade sobre a rodovia onde ocorreram os congestionamentos.

Segundo o comunicado, o principal ponto de retenção foi registrado na BR-262, acesso ao Autódromo Internacional. 

“O principal ponto de tensão permaneceu concentrado no acesso externo ao Autódromo, especialmente na BR-262, cuja capacidade estrutural se mostrou insuficiente”, informou.

A empresa destaca ainda que não possui competência legal para intervir no trânsito em rodovias ou vias urbanas, atribuição que, conforme o Código de Trânsito Brasileiro, é de responsabilidade dos órgãos públicos.

A empresa também destacou que o show do Guns N’ Roses foi planejado com antecedência e acompanhado por órgãos competentes.

 “Todas as condicionantes foram cumpridas pela produção, incluindo estrutura interna, fluxos de entrada, segurança e atendimento ao público”, afirmou.

De acordo com o comunicado, toda a operação para o show do Guns N’ Roses foi previamente planejada com a participação de instituições como Polícia Rodoviária Federal, Detran e Agetran, que autorizaram a realização e acompanharam a logística.

Internamente, segundo a empresa, o evento ocorreu dentro da normalidade. O atraso de cerca de uma hora e meia no início do show foi, conforme a nota, uma medida para minimizar prejuízos ao público. “Foi uma decisão operacional responsável, adotada para permitir a entrada do maior número possível de pessoas que ainda estavam em deslocamento”.

A organização também ressaltou o impacto econômico do evento e defendeu que a situação evidencia um desafio estrutural. 

“O que se verificou não foi ausência de planejamento, mas o encontro entre uma demanda comprovada e uma infraestrutura que precisa evoluir”, conclui a nota.

(Acesse nota da empresa na íntegra aqui)

Engarrafamento na BR-262 para o show do Guns N’ Roses (Foto: Fabiano Arruda)
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PRF aponta falhas no acesso e na organização

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal informou que atuou de forma planejada durante o evento, com foco na segurança viária, mas identificou divergências entre o planejamento apresentado e o que foi executado.

Segundo a PRF, “houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada, o que gerou retenção”.

O órgão também destacou que “foi implementado controle de acesso com leitura de QR Code na entrada, medida previamente desaconselhada pela PRF por provocar filas”.

A instituição apontou ainda problemas de sinalização e operação. “Não havia sinalização adequada para orientar os condutores, o que gerou paradas para busca de informação e contribuiu para o aumento do congestionamento”, informou.

Além disso, “a abertura dos estacionamentos ocorreu com atraso em relação ao horário divulgado, comprometendo a distribuição do fluxo ao longo do dia”.

Diante disso, a PRF concluiu que “os principais pontos de retenção registrados não estavam relacionados à gestão do fluxo na rodovia, mas sim à capacidade de acesso e organização interna do evento”.

Volume acima da capacidade

A Agetran informou que houve fluxo de veículos muito acima da capacidade das vias na região do evento, especialmente na BR-262, considerada o principal acesso ao Autódromo.

O órgão municipal afirmou que atuou no planejamento e orientação de rotas alternativas dentro da cidade, com equipes em campo para tentar reduzir os impactos.

Também destacou que o planejamento foi feito de forma integrada com os demais órgãos e comunicado previamente aos organizadores, incluindo alertas sobre a limitação das vias.

Transporte coletivo

O Consórcio Guaicurus informou que a operação do transporte coletivo enfrentou “severos desafios logísticos” durante o evento.

Segundo a concessionária, o principal gargalo ocorreu na Avenida João Arinos, onde o trânsito intenso comprometeu a circulação dos ônibus. Ao todo, sete linhas sofreram atrasos significativos e 16 veículos ficaram retidos nos congestionamentos.

“O atraso foi provocado por fatores externos de mobilidade urbana, alheios ao controle da concessionária, que impediram o cumprimento da pontualidade habitual”, informou o consórcio, que também lamentou os transtornos aos passageiros.

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