A nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), eleita neste domingo (4), será formada em sua maioria por homens, pessoas brancas e parlamentares com ensino superior completo. Entre os 24 deputados escolhidos para a legislatura que começa em 2027, não há nenhum candidato autodeclarado preto ou indígena.
Dos eleitos, 22 são homens e apenas duas são mulheres. Na prática, os homens ocuparão 91,7% das cadeiras da Assembleia, enquanto a participação feminina será de 8,3%. Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) serão as únicas mulheres entre os 24 parlamentares.
O recorte racial mostra uma composição ainda mais concentrada. Conforme as declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral, 21 dos eleitos se declararam brancos e três pardos. Com isso, na nova legislatura não haverá deputados autodeclarados pretos ou indígenas entre os titulares eleitos.
A ausência de representantes indígenas ocorre no mesmo ano em que a ALMT registrou um marco histórico. Em abril, Eliane Xunakalo (PT), do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira pessoa indígena, e a primeira mulher indígena, a ocupar uma cadeira no Parlamento estadual de Mato Grosso. Ela assumiu a vaga por 30 dias no lugar de Lúdio Cabral (PT), dentro de um sistema de rodízio entre suplentes.
Eliane tentou transformar a passagem temporária pela Assembleia em um mandato conquistado nas urnas nas eleições de 2026, mas terminou o ciclo eleitoral fora da lista de parlamentares eleitos, conquistando 3.427 votos.
A próxima legislatura também terá uma bancada com idade média superior aos 50 anos. Os deputados eleitos têm, em média, 52,6 anos, com idades que variam de 36 a 70 anos. O dado reforça um perfil de representantes com trajetória profissional e política já consolidada.
Veja um resumo dos dados do perfil dos parlamentares eleitos:
Maioria tem ensino superior
A escolaridade também ajuda a traçar o perfil da nova Assembleia. Dos 24 eleitos, 17 declararam ter ensino superior completo, o equivalente a cerca de 71% da bancada. Outros seis informaram possuir ensino médio completo, enquanto um declarou ensino fundamental incompleto.
As ocupações informadas à Justiça Eleitoral mostram presença significativa de atividades empresariais e da própria política. Entre os eleitos aparecem empresários, deputados, médicos, agricultores, advogados, engenheiros, pecuaristas, vereador, professor universitário e produtor agropecuário.
Só uma em cada quatro cadeiras muda de ocupante
Apesar da chegada de novos nomes, a Assembleia terá pouca mudança em relação à composição atual. Dos 24 deputados eleitos, 18 já integram a ALMT e continuarão na Casa. Outras seis cadeiras mudam de ocupante, representando uma renovação de 25%.
Cinco nomes ocuparão pela primeira vez uma cadeira de deputado estadual: Samantha do Abilio (PL), Leo Bortolin (MDB), Alessandra Ferreira (Podemos), Alcino Barcelos (PL) e Adelcino Lopo (Podemos). Ulysses Moraes (Podemos), por outro lado, retorna à Assembleia após ter exercido mandato entre 2019 e 2023.
O percentual de renovação repete o registrado nas eleições de 2022, quando seis das 24 cadeiras também mudaram de ocupante. O índice é inferior ao de 2018, quando a renovação chegou a 58,3%, com 14 mudanças entre as 24 vagas.

Cuiabá concentra bases políticas
Geograficamente, Cuiabá aparece como a principal referência política da nova Assembleia. A capital está associada à base de nove dos 24 deputados eleitos. A Baixada Cuiabana aparece em cinco perfis e Rondonópolis em três.
Também há deputados com bases relacionadas a Sinop, Nova Mutum, Tangará da Serra, Primavera do Leste, Jaciara, Novo Bandeirantes, Barra do Bugres, Barra do Garças e Pontal do Araguaia.
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