Uma investigação da Polícia Civil apontou que Elismar Saltiva Sales, de 47 anos, foi morta a tiros em Sorriso (MT) após ser identificada, sem provas, como uma das principais integrantes do PCC no município. Segundo o delegado Paulo Brambilla, não foi encontrado qualquer indício de que a vítima tivesse ligação com a facção criminosa.
Elismar foi assassinada na tarde de 14 de julho, no bairro Boa Esperança 2. Dois homens chegaram em uma motocicleta, dispararam várias vezes contra ela e fugiram. A mulher foi encontrada sem vida antes da chegada das equipes de resgate.
Durante coletiva de imprensa, Brambilla afirmou que a morte faz parte de uma sequência de crimes relacionados à atuação de facções no município. Conforme o delegado, as vítimas são classificadas como integrantes de grupos rivais sem que haja uma investigação ou qualquer comprovação.
“Na cabeça deles, a mulher que morreu era uma grande gerente do PCC. Não há indício algum de que ela fosse do PCC. Inclusive, havia uma pichação com a inscrição ‘Comando Vermelho’ na casa dela”, declarou.
De acordo com o delegado, gestos, relações pessoais e até o local onde uma pessoa compra drogas podem ser usados pelos criminosos como justificativa para apontá-la como integrante de uma facção rival.
“Se você compra uma droga de um cara de quem eles não gostam, eles vão lá e matam. Está assim a mentalidade deles”, afirmou.
O delegado também citou como exemplo os gestos feitos com as mãos em fotografias, que podem ser interpretados pelos criminosos como símbolos de facções.
“Hoje você vai tirar uma foto com a família, faz um três com a mão, e eles já dizem: ‘Esse cara é do PCC’. Na cabeça deles, todo mundo que não faz o dois é PCC”, criticou.
Suspeito foi morto

Horas depois da morte de Elismar, Ivanilson Andrade dos Santos, de 31 anos, apontado como um dos executores, morreu em confronto com policiais militares da Força Tática.
Segundo a Polícia Militar, ele foi localizado durante as buscas e teria apontado um revólver calibre 38 contra a equipe, que reagiu. Ivanilson chegou a ser levado ao Hospital Regional de Sorriso, mas não resistiu.
Um adolescente de 17 anos confessou que conduziu a motocicleta usada no assassinato, enquanto Ivanilson teria realizado os disparos. Uma mulher também foi presa após admitir que emprestou o veículo utilizado pelos criminosos.
A Polícia Civil continua investigando os envolvidos nas execuções e a participação de integrantes de organizações criminosas nos homicídios registrados em Sorriso.
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