Um procedimento inédito na Santa Casa de Campo Grande busca ajudar na recuperação de Yuri Augusto, de 11 anos, que teve 60% do corpo queimado em 4 de agosto.
Internado há mais de dois meses, o menino passou por duas cirurgias de aloenxerto, técnica que utiliza pele de doadores para cobrir temporariamente áreas gravemente lesionadas, reduzir o risco de infecção e permitir que o paciente alcance condições para receber enxertos da própria pele.
A mãe de Yuri, Déborah Villarva Louveira, conta que recebeu informações sobre o que teria acontecido com o filho por meio do próprio menino. Segundo ela, Yuri contou que um amigo teria ateado fogo nele.
“Meu filho estava com focos de fogo, estava pegando fogo. Todo deformado. Não era aquele menino que eu deixei em casa para trabalhar. Totalmente diferente, inchado, sangrando, sem pele”, relembrou Déborah.
Procedimento utiliza pele de doadores
Internado há mais de dois meses, o menino passou recentemente pelo procedimento de enxerto de pele alógena, considerado um feito inédito na Santa Casa, e de alta complexidade. O enxerto é provisório, e contou com a participação de diversas equipes do hospital.
“O aloenxerto são peles que vêm do banco de tecidos, são peles de doadores tratadas, para a gente fazer essa cobertura nas áreas que não vão cicatrizar sozinhas, que são as áreas de terceiro grau”, explicou a médica.
Renata Ferro, cirurgiã plástica da Santa Casa
Segundo Renata, o tempo de permanência dessa cobertura varia de acordo com as condições de cada paciente. O objetivo é manter Yuri o mais estável possível até que ele possa receber enxertos da própria pele.

Próxima etapa é utilizar a própria pele do menino
Com a evolução do tratamento, a equipe médica pretende iniciar gradualmente a substituição da cobertura temporária por enxertos da própria pele de Yuri. Essa etapa é necessária para cobrir definitivamente as áreas que permanecem abertas.
“A partir deste momento, se tudo se encaminhar bem, a gente vai começar a fazer o enxerto da própria pele do paciente para cobrir definitivamente as áreas que estão abertas, porque este aloenxerto é um curativo temporário, não vai ser definitivo. Então, a gente vai substituindo aos poucos pela pele do paciente”, afirmou Renata Ferro.
Mãe destaca evolução e mantém esperança
Apesar da gravidade das queimaduras e do longo período de internação, Déborah afirma que tem percebido avanços na recuperação do filho. Ela também destaca o acolhimento recebido dos profissionais responsáveis pelo atendimento.
“Eu fiquei muito feliz de saber que ele está progredindo. O meu filho é forte, está lutando pela vida dele e, aqui na Santa Casa, o cirurgião acolheu muito ele e a equipe do CTI também. Eles estão ajudando muito o meu menino”, contou.
A mãe reconhece que a recuperação será delicada e demorada, mas mantém a esperança de que Yuri consiga superar essa fase.
