Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — escancara uma realidade indigesta em Mato Grosso.
O estado ostenta a terceira maior taxa de feminicídios do Brasil, registrando 2,7 mortes para cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
No topo desse ranking da violência, as vítimas têm cor e endereço: 65% das mulheres mortas por razões de gênero no país são negras, e mais de 60% dos assassinatos acontecem dentro de casa, cometidos por parceiros ou ex-companheiros.
Para tentar barrar essa escalada, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) tenta agir como uma barreira de proteção. O órgão oferece desde socorro jurídico gratuito e medidas protetivas até acompanhamento psicológico para mulheres que enfrentam, ao mesmo tempo, a violência doméstica e o preconceito racial.
Racismo estrutural e dependência financeira encurralam vítimas
A violência física é apenas a ponta do iceberg. A falta de autonomia financeira é o principal cadeado que prende mulheres negras a relacionamentos abusivos. Em Mato Grosso, essa parcela da população é a que mais sofre com o desemprego, o trabalho informal e os baixos salários — quase sempre chefiando a família sozinhas, sem rede de apoio.
A defensora pública Rosana Leite, do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), alerta que o problema não é isolado, mas uma engrenagem que se repete todos os dias.
“As estatísticas mostram que as mulheres negras são as maiores vítimas de todas as formas de violência. O racismo e o machismo andam juntos e são reproduzidos na sociedade, exigindo respostas muito mais firmes das instituições”, afirma.
Atendimento vai até comunidades quilombolas de Mato Grosso
A atuação da Defensoria tem tentado furar a bolha dos gabinetes para chegar onde o Estado raramente aparece. Projetos como o “Defensoria Até Você”, que leva mutirões de atendimento e orientação jurídica diretamente para comunidades quilombolas e indígenas no interior de Mato Grosso, renderam ao órgão o prêmio nacional Selo Esperança Garcia pelo quarto ano seguido.
Para a defensora Janaina Yumi Osaki, o 25 de julho é um dia de resistência, mas longe de ser apenas festivo.
“Celebrar essa data é honrar a força das mulheres negras, mas não há celebração plena enquanto os números de assassinatos e a desigualdade salarial cobrarem um preço tão alto para que elas simplesmente consigam sobreviver”, destaca.
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