Mato-grossense que deixou Sinop para lutar na guerra morre em ataque de drone na Ucrânia

Fernando Pereira Lisboa, de 40 anos, que morava em Sinop (MT), após ser atingido durante um ataque de drone na Ucrânia, onde atuava ao lado das forças do país na guerra contra a Rússia. Ele havia deixado Mato Grosso para participar do conflito há cerca de três meses.

Ao Primeira Página, a irmã dele, Zenaide Lisboa, contou que recebeu a notícia da morte no sábado (13), por meio de um sargento que integrava a mesma unidade militar de Fernando. Segundo ela, o corpo deverá permanecer na Ucrânia e poderá ser cremado após o fim da guerra, quando as cinzas poderão ser enviadas à família no Brasil.

Mato-grossense morreu em ataque de drone na Ucrânia. – Foto: Reprodução/Instagram

“A gente conversava bastante. Na quinta-feira (11) foi a nossa última conversa. Na sexta-feira eu cheguei um pouco atrasada no trabalho e não deu para a gente conversar. Quando foi no sábado, o sargento dele já nos notificou que eles tinham sido atacados por um drone. Ele estava com mais dois. Outro colega dele está bem ferido. Tem o outro que eu não tenho informação, mas que o Fernando, o sargento, falou que morreu”, contou.

O sonho de lutar

Segundo a irmã, o desejo partiu de Fernando de deixar o Brasil e ir lutar na guerra. Apesar de não concordar com a ideia, ela contou que sempre respeitou a decisão do irmão e, por ser religiosa, pedia a Deus para que ele retornasse com vida para casa.

Desde a infância, Fernando demonstrava interesse por assuntos ligados ao universo militar, como armamentos, tanques de guerra e estratégias de combate. Com o passar dos anos, passou a estudar por conta própria temas relacionados a conflitos armados, sobrevivência e história das guerras. No fim de 2025, ele começou a comentar com familiares que pretendia se alistar para atuar no conflito entre Ucrânia e Rússia.

Determinado a colocar o plano em prática, Fernando se inscreveu para integrar as forças ucranianas e iniciou os preparativos para a viagem. Segundo Zenaide, ele tirou o passaporte, organizou a documentação exigida e pagou com recursos próprios a passagem de Sinop até Guarulhos (SP). Ao chegar à cidade paulista, foi encaminhado para um hotel, onde permaneceu com outros candidatos selecionados para atuar no conflito. Ouça o relato abaixo:

A partir daí, conforme o relato da irmã, os custos passaram a ser assumidos pelos responsáveis pelo recrutamento. Fernando assinou os documentos de adesão, seguiu de avião para a Europa e, após passar por diferentes escalas, chegou à Ucrânia. Já no país em guerra, recebeu treinamento militar e passou a manter contato frequente com a família, enviando mensagens e fotografias sobre a rotina que vivia no front.

Fernando Pereira
Mato-grossense morreu em ataque de drone na Ucrânia. – Foto: Reprodução/Instagram

Em um vídeo compartilhado por Zenaide no Instagram, Fernando mostrava um drone que ele tinha conseguido derrubar. “Estou passando para comunicar que Sinop também derruba drone. Derrubei hoje!”, disse. Veja vídeo:

“Vou levar seu sorriso sempre comigo, as lembranças que nós tivemos da nossa infância. Meu irmão inseparável, mas infelizmente a sua hora chegou. Como você me falou: ‘vou cumprir minha missão!’ E você foi e cumpriu! Eu fico aqui somente com as lembranças e a dor que vou carregar”, escreveu Zenaide na publicação.

Conflito

A guerra Russo-Ucraniana eclodiu originalmente em março de 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia, escalando para uma invasão em larga escala em 24 de fevereiro de 2022. Atualmente, o conflito transformou-se em uma guerra de desgaste paralisada em trincheiras, marcada pelo uso intenso de drones, constantes bombardeios russos contra a infraestrutura ucraniana e contra-ataques de Kiev em solo russo.

Embora não ha números exatos de forma independente e constatados por ambos os lados, relatórios internacionais e de inteligência estimam um balanço devastador.

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou a morte de mais de 15.800 civis ucranianos (com os números reais sendo expressivamente maiores), enquanto as baixas militares combinadas (entre mortos e feridos) superam a marca de 1,2 milhão de soldados de ambos os exércitos, estimando-se que as mortes em combate passem de 200.000 combatentes russos

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia