O que deveria ser apenas uma pescaria entre amigos se transformou em um compromisso anual com a natureza. Em sua 12ª edição, a ação Casa Limpa reuniu 52 embarcações, mergulhadores e voluntários para retirar resíduos da região do alagado do Rio Teles Pires, em Sinop (MT). Entre os objetos encontrados estavam garrafas, lonas, isopor, linhas de pesca e até uma geladeira.
A iniciativa começou quando três amigos foram pescar no rio Verde e se depararam com uma grande quantidade de lixo. No fim da tarde, começaram a recolher os resíduos e decidiram retornar na semana seguinte com mais pessoas.
“Começamos a olhar em volta e vimos aquela ‘lixaiada’. Começamos a juntar e, no fim da tarde, tivemos a ideia de voltar na outra semana, chamar mais gente para ajudar e fazer uma confraternização. Com três barquinhos, fizemos todo o recolhimento e deu cerca de mil quilos de lixo”, contou o organizador da ação, Márcio Baggio.
Depois da primeira limpeza, o grupo decidiu repetir o trabalho uma vez por ano. A mobilização cresceu a cada edição e passou de três pequenas embarcações para dezenas de barcos reunidos em defesa dos rios da região.
Geladeira, garrafas e muito isopor
Durante o mutirão deste ano, os voluntários encontraram diferentes tipos de resíduos espalhados pela água e pelas margens. Uma geladeira abandonada em um pesqueiro chamou a atenção dos participantes.
“A gente encontrou uma geladeira velha jogada em um pesqueiro, recolheu e começou a enchê-la de lixo”, relatou o empresário Mauro Klein.

Segundo ele, a maior parte dos materiais recolhidos é composta por plástico, principalmente garrafas PET. Também foram encontradas garrafas de vidro, lonas e uma grande quantidade de isopor.
“Achamos bastante garrafa PET, garrafa de vidro, muito isopor e lona. A grande maioria é plástico. Os locais onde há desembarcadores e pesqueiros são os pontos em que mais encontramos lixo”, explicou Mauro.
Na edição anterior da Casa Limpa, mais de duas toneladas de resíduos foram retiradas do rio Teles Pires e das margens. O volume recolhido neste ano ainda não foi informado pelos organizadores.
Mergulhadores encontram lixo escondido
Enquanto parte dos voluntários percorreu as margens e a superfície do rio, mergulhadores entraram na água para localizar materiais que não são vistos por quem passa de barco.

Entre os resíduos encontrados no fundo estavam linhas e outros equipamentos de pesca que representam risco para os animais.
“Quem não mergulha recolhe o lixo que está na superfície e nós procuramos o que está debaixo da água. Encontrei uma linha que é muito complicada para os peixes. Às vezes, encontramos até peixe morto preso nessas linhas”, afirmou o mergulhador Cinésio Medeiros.
O diretor regional da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Gabriel Conter, alertou que, mesmo com as ações realizadas todos os anos, novas quantidades de lixo e equipamentos proibidos continuam sendo encontradas no rio.
“Quando retornamos no ano seguinte ou em outra data, encontramos novamente quase a mesma quantidade. O uso de petrecho proibido é considerado crime ambiental. Além da multa, o responsável pode ser encaminhado à delegacia e responder criminalmente”, explicou.
Segurança durante a navegação
A ação contou com o acompanhamento da Marinha e do Corpo de Bombeiros. As equipes orientaram os participantes sobre o uso de coletes salva-vidas, cordões de segurança e outros cuidados durante a navegação.
“Fazemos o acompanhamento para manter a segurança do tráfego aquaviário e das pessoas, orientando sobre o uso correto do colete e do cordão de segurança preso ao pulso”, afirmou o comandante da Agência Fluvial de Sinop, capitão Wagner Nascimento.
O Corpo de Bombeiros também reforçou os cuidados com crianças próximas ao rio e alertou sobre o risco de entrar na água usando roupas pesadas.
“Sempre que uma criança estiver na beira do rio, deve haver um adulto monitorando. Também é preciso evitar entrar na água de calça ou com roupas pesadas, porque pode acontecer um acidente”, orientou o sargento Luciano de Oliveira.
Árvores plantadas nas margens
Além da retirada dos resíduos, os participantes plantaram mudas e instalaram placas de conscientização em pontos próximos ao rio. A proposta é recuperar as margens e incentivar pescadores e moradores ribeirinhos a descartarem corretamente o lixo.
“A gente vai plantar essas arvorezinhas, recolher o lixo e colocar placas em alguns pontos para conscientizar os pescadores e os ribeirinhos”, contou o mecânico Carlos Souza, que participou do mutirão.