A Justiça de Mato Grosso determinou que a Secretária de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT) seja oficiada com urgência da prisão da Angélica Saraiva de Sá para que tome as providências necessárias para o recambiamento. A reeducanda foi presa no dia 22 de setembro em Santa Cruz De La Sierra, na Bolívia, após um ano foragida ao escapar do presídio feminino em Cuiabá (MT).
A decisão é desta quarta-feira (30), da juíza Caroline Schneider Guanaes Simões da 2ª Vara Criminal de Cuiabá. A magistrada ainda acrescentou que seja oficiado também o local onde Angélica encontra-se recolhida para solicitar informações sobre os fatos trazidos pela advogada da sentenciada.
Desde que foi transferida da Bolívia para o Brasil em 23 de setembro, Angeliquinha, como é conhecida, está detida na sede da Polícia Federal de Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul.
O Poder Judiciário dos dois estados estão em conexão para que ela seja trazida a Mato Grosso, para voltar ao cumprimento de pena.
Ela está detida há 11 dias. Até o momento não foi informada uma data para que ocorra a transferência da detenta.

Segundo a Polícia Civil, Angélica acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Ela também tinha seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026. A localização da foragida ocorreu após troca de informações entre as forças de segurança brasileiras e bolivianas.
Ligações com facção criminosa e fuga do presídio
Angeliquinha é apontada pelas Forças de Segurança como uma das chefes da facção criminosa Comando Vermelho com atuação no extremo norte de Mato Grosso.
Investigações apontam que ela exercia influência sobre atividades criminosas na região de Alta Floresta (MT), incluindo ações relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.
Em 2022 teria ordenado as mortes de:
- Jefferson Vale Paulino, de 27 anos;
- Alan Rodrigues Pereira, 36 anos;
- João Vitor da Silva, 19 anos;
- Caio Paulo da Silva, 31 anos.
Ela estava foragida do sistema prisional desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Além dela, fugiu também a detenta Jéssica Leal da Silva, 36, vulgo “Arlequina”, também envolvida com facção e considerada chefe de facção na região de Juína (MT). Até o momento ela ainda não foi encontrada e presa novamente.

Elas teriam serrado duas grades da cela 11, no Raio 4, onde estavam custodiadas. Em seguida, romperam a grade superior da cobertura, tiveram acesso ao pavilhão e depois à área externa do presídio.
A fuga ocorreu pela obra da fábrica na penitenciária, cujo portão estava apenas encostado e sem vigilância.
Na época da fuga, a Sejus informou que havia iniciado uma investigação interna para apurar a fuga das duas detentas e que a Corregedoria Geral e a Inteligência da SEJUS estariam à frente das apurações.
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