Justiça adota medidas cautelares após autuação de delegado e defesa alega “grave sofrimento psicológico”

Após nota informativa da autuação em flagrante do delegado Bruno França, o juiz Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque, da 2ª Vara Criminal de Sorriso, impôs medidas cautelares a pedido da Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária Civil e do Ministério Público: afastamento cautelar do cargo público e suspensão temporária do porte de arma.

O juízo ainda fixou, de ofício, outras três medidas cautelares: proibição de aproximação e manutenção de contato, por qualquer meio, com as vítimas e testemunhas, devendo manter distância mínima de 200 (duzentos) metros; proibição de frequentar as dependências da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso/MT; e proibição de frequentar bares, boates, prostíbulos e estabelecimentos congêneres.

O inquérito está sendo conduzido pela Corregedoria-Geral através dos delegados Márcio Moreno Vera, Marcelo Martins Torhacs, André Eduardo Ribeiro e Henrique Trevizan.

A defesa do delegado da Polícia Civil Bruno França Ferreira, baleado durante uma ocorrência registrada em Sorriso no dia 13 de maio de 2026, também divulgou uma nota pública nessa sexta-feira (15) prestando esclarecimentos sobre o caso.

Na nota, o escritório Bezerra & Curado Advogados Associados, que representa Bruno França, afirma que o delegado vinha enfrentando, nos últimos dois meses, um período de “grave sofrimento psicológico”, relacionado a uma crise familiar de alta complexidade e ao desgaste acumulado por anos de trabalho sob tensão.

A defesa também destaca a atuação de Bruno França na região de Sorriso, citando sua dedicação no combate ao crime organizado e o reconhecimento de autoridades locais.

Bruno segue internado em um hospital particular de Sorriso.

NOTA NA ÍNTEGRA: 

O escritório Bezerra & Curado Advogados Associados, na qualidade de patronos constituídos de Bruno França Ferreira, Delegado de Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca dos fatos ocorridos em Sorriso-MT na data de 13 de maio de 2026.

Bruno França Ferreira é Delegado de Polícia Civil há quatro anos, atuando na região de Sorriso com dedicação e empenho reconhecidos pelas autoridades locais, incluindo o Ministério Público e o Poder Judiciário. Nesse período, colocou-se na linha de frente do combate ao crime organizado em um município que enfrenta sérios problemas relacionados a facções criminosas, o que resultou em significativa redução dos índices de criminalidade e em elevado número de prisões e inquéritos concluídos.

Trata-se de um profissional que exerce sua função com bravura, muitas vezes sob risco pessoal, a serviço da segurança pública da população de Sorriso.

Nos últimos dois meses, o Delegado Bruno vinha atravessando um período de grave sofrimento psicológico, precipitado por uma crise familiar de alta complexidade, somada ao peso acumulado de anos de trabalho em condições de extrema tensão. Essa combinação de fatores gerou uma deterioração progressiva de sua saúde mental, reconhecida e acompanhada de perto por sua família.

Os fatos que resultaram na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante são inequivocamente reflexo desse quadro de stress. Amigos e colegas de trabalho se deslocaram à residência do Delegado a pedido de sua família, com o único intuito de auxiliá-lo.

O que se seguiu foi uma reação de quem, naquele momento, não estava no pleno exercício de suas faculdades mentais — o que é reconhecido pela própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso no despacho que fundamentou a lavratura do flagrante, ao registrar expressamente a preocupação com a condição psíquica do Delegado e afastar a necessidade de prisão preventiva em razão desse contexto.

A defesa, em consonância com a representação formulada pela própria autoridade policial por medidas cautelares alternativas à prisão — afastamento temporário do cargo e suspensão do porte de arma —, requereu ao Juízo Criminal da Comarca de Sorriso a recomendação de que o Delegado Bruno seja acompanhado por profissional especializado, no caso um psicólogo, para avaliar no aspecto clínico a necessidade de afastamento do profissional e eventual retorno.

As medidas foram deferidas pela autoridade judiciária.

A família e a defesa do Delegado Bruno França Ferreira aguardam que o sistema de justiça trate o caso com a sensibilidade que a situação exige e apela à imprensa e à sociedade para que o caso seja tratado com responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa humana, preservando a imagem de um profissional que dedicou anos de sua vida ao serviço público, e que, como qualquer ser humano, pode sucumbir diante de circunstâncias que superam sua capacidade de suportação.

O CASO:

O episódio ocorreu em uma residência no bairro Parque das Araras e mobilizou equipes da Polícia Militar, incluindo o Raio e o 12º Batalhão. Conforme informações do boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados após disparos de arma de fogo nas proximidades de um imóvel. No local, um investigador da Polícia Civil também foi encontrado ferido após a situação.

Bruno França foi atingido por disparos e precisou passar por cirurgia. Inicialmente, havia informações de que ele poderia ter perdido dedos da mão, mas a equipe médica conseguiu realizar a reconstrução dos dedos atingidos. O delegado segue em recuperação.

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