Mensagens recuperadas durante a investigação da morte do advogado Roberto Zampieri, em 2023, em Cuiabá, foram apresentadas nesta quinta-feira (1º), durante os debates do julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Entre os diálogos exibidos aos jurados está uma conversa em que Antônio é questionado se iria “parar” e responde: “Quando morre sim”.
O material integra um relatório técnico da investigação apresentado durante a argumentação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Para a acusação, as conversas ajudam a demonstrar a relação entre os envolvidos e o papel atribuído a cada um no assassinato de Zampieri.
Em um dos trechos exibidos no plenário, datado de 8 de dezembro de 2023, uma pessoa identificada como ‘Marco Filho Pipiu’ pergunta a Antônio: “Cê vai parar né Zé?”. Antônio Gomes responde: “Quando morre sim”.
Na análise que acompanha a troca de mensagens, a investigação registra que o interlocutor questionava se Antônio iria “parar”, “possivelmente de atuar como espécie de ‘pistoleiro’”. O relatório acrescenta que a resposta levaria à conclusão dos investigadores de que Antônio seria o executor de Roberto Zampieri.
Antônio confessou durante o julgamento ter sido o autor dos disparos que mataram o advogado.
Pedido de exame de sanidade foi feito durante o júri
Outro episódio comentado pelo Ministério Público foi o pedido da defesa de Antônio Gomes da Silva para a realização de exame de sanidade mental, apresentado durante o julgamento.

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva classificou a situação como ‘inusitada’ e afirmou que a questão poderia ter sido levantada anteriormente no processo. “Em momento algum foi alegada qualquer falta de sanidade mental do réu”, afirmou.
Segundo Gahyva, a medida poderia levar à procrastinação do processo. O pedido foi rejeitado pelo Judiciário.
Mensagens no dia da prisão
Outro conjunto de mensagens apresentado aos jurados mostra uma conversa entre Hedilerson Barbosa e um contato identificado como ‘Filho Antônio’, em 20 de dezembro de 2023, dia em que Antônio foi preso.
“Ele está a onde?!”, pergunta Hedilerson.
“Tá no DHPP”, responde o interlocutor.
“Lagoinha?”, questiona Hedilerson.
“Isso”, responde o contato.
As mensagens fazem parte do conjunto de provas digitais analisadas durante a investigação.
Relatório aponta conversas entre Hedilerson e Caçadini
Outro trecho apresentado durante o julgamento trata da relação entre Hedilerson Barbosa e o coronel Etevaldo Caçadini. Segundo o relatório, havia vários diálogos entre os dois e o conteúdo predominante das conversas era relacionado a política. A investigação também afirma que várias mensagens haviam sido apagadas, mas que parte delas foi recuperada.
Em um diálogo de 17 de dezembro de 2023, conforme o documento apresentado aos jurados, Caçadini questiona Hedilerson sobre Antônio Gomes, a quem teria chamado de ‘empreiteiro’.
O Ministério Público usa o conjunto de mensagens para sustentar a acusação contra os três réus.
Promotor cita mais de 100 questionamentos às provas
Durante os debates desta quinta-feira, o promotor afirmou que houve mais de 100 tentativas de questionar as provas reunidas no processo. Segundo ele, os autos já ultrapassam 40 mil páginas.
A acusação apresentou aos jurados documentos, mensagens e elementos extraídos de aparelhos eletrônicos para defender a participação dos réus no crime.
Defesa de Caçadini questiona investigação

A advogada Sarah Quinetti Pironi, que defende o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, contestou as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal durante os debates desta quinta-feira. “O que eles falaram que acharam no celular do coronel Caçadini qualquer um poderia ter”, afirmou Sarah.
Entre os arquivos encontrados no aparelho e mencionados no julgamento estavam fotografias do corpo de Zampieri dentro do veículo e do atestado de óbito. “Não confiamos na investigação desse processo”, declarou a advogada.
Sarah Quinetti Pironi também afirmou que considera injusta uma eventual condenação do coronel. “Se ele sair daqui condenado eu fiz um propósito de ficar um bom tempo sem advogar, porque será uma das maiores injustiças que já vi”, afirmou.

Julgamento entra na reta final
Antônio Gomes, Hedilerson Barbosa e Etevaldo Caçadini são julgados pelo assassinato de Roberto Zampieri, morto com dez tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.
No interrogatório realizado na quarta-feira (30), Antônio confessou ter matado o advogado. Ele contou que recebeu uma fotografia de Zampieri ainda em Belo Horizonte, antes de viajar para Mato Grosso, mas não revelou quem enviou a imagem. Ao ser questionado sobre o que sentiu depois do crime, respondeu: “Missão cumprida”.
Hedilerson negou participação no assassinato e afirmou que Antônio teria pegado uma arma de sua propriedade sem o conhecimento dele.
Já Caçadini negou envolvimento no crime e confirmou que mantinha contato frequente com o produtor rural Aníbal Manoel Laurindo, apontado como suposto mandante. Segundo o coronel, os dois chegavam a conversar duas ou três vezes por dia.
O julgamento entrou nesta quinta-feira na fase de debates entre acusação e defesa. Depois dessa etapa, os sete jurados deverão responder aos quesitos e decidir sobre os três réus.
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