O julgamento dos três acusados de envolvimento na morte do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, entrou nesta quinta-feira (1º) em uma das etapas decisivas. No terceiro dia de júri, acusação e defesa iniciaram os debates antes de o caso seguir para votação dos sete jurados.
A sessão foi retomada por volta das 9h, no Fórum de Cuiabá. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) terá três horas e dez minutos para apresentar os argumentos aos jurados. As defesas de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas terão o mesmo período, dividido entre os três réus.
Caso haja réplica e tréplica, acusação e defesa terão mais duas horas cada. Encerrada essa etapa, os sete integrantes do Conselho de Sentença serão encaminhados para uma sala reservada, onde responderão aos quesitos apresentados durante o julgamento.
Não há prazo definido para o término da votação. Depois da decisão dos jurados, a sentença será lida pelo juiz responsável pelo júri.
O novo julgamento começou na terça-feira (29). No primeiro dia, seis testemunhas foram ouvidas, entre elas os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo.

Também prestaram depoimento o empresário José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
Réus foram interrogados no segundo dia
Na quarta-feira (30), foi a vez dos três réus serem interrogados. Antônio Gomes da Silva, apontado pelo Ministério Público como autor dos disparos, confessou ter matado Zampieri. Durante o depoimento, ele afirmou que recebeu uma fotografia da vítima quando ainda estava em Belo Horizonte (MG), antes de viajar para Mato Grosso.
O réu não revelou quem teria enviado a imagem. Questionado durante o julgamento sobre o que sentiu depois do assassinato, respondeu: “Missão cumprida”.

Hedilerson Fialho Martins Barbosa negou participação no crime e afirmou que Antônio teria pegado uma arma de sua propriedade sem o conhecimento dele.
Já o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas declarou que mantinha contato frequente com o produtor rural Aníbal Manoel Laurindo, apontado como suposto mandante do assassinato. Segundo Caçadini, os dois chegavam a conversar duas ou três vezes por dia.
Antônio, Hedilerson e Caçadini respondem por homicídio triplamente qualificado e permanecem presos.
Zampieri foi morto com 10 tiros
Roberto Zampieri foi assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá. O advogado estava dentro de uma caminhonete, em frente ao escritório onde trabalhava, quando foi atingido por 10 disparos.

Segundo a investigação, o homicídio teria relação com uma disputa agrária e judicial envolvendo uma propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.
Este é um novo julgamento dos três acusados. O júri realizado em julho precisou ser interrompido depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde. Com a dissolução do Conselho de Sentença, os atos em plenário tiveram de ser realizados novamente.
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