A Polícia Civil de Mato Grosso comprovou o pagamento de R$ 215 mil pela execução do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogado do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Renato Gomes Nery, após rastrear a movimentação financeira ligada ao crime, ocorrida entre os dias 4 e 8 de março de 2024, quatro meses antes da morte de Nery.
As informações – consideradas de alta complexidade – foram comprovadas nesta semana pelos investigadores.
Conforme as investigações, a apontada como mandante do crime, a empresária Julinere Bastos, fez a transferência de R$ 200 mil para um terceiro, valor que depois foi repassado em transferências fracionadas até chegar ao intermediador do crime, o policial militar Jackson Bastos.
Antes de o dinheiro chegar ao PM, parte do montante foi usada na compra de um veículo de luxo, como forma de tentar despistar a origem do valor, mas a transação foi descoberta durante a investigação e o carro acabou sendo apreendido pela polícia.
Contexto das transações bancárias
Segundo informações exclusivas do delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Bruno Abreu, Jackson Barbosa procurou um empresário de Lucas do Rio Verde e disse que precisava receber um pagamento, mas que não poderia utilizar a própria conta bancária.
O empresário concordou em receber o valor, mas informou que precisaria reter parte do dinheiro para pagamento de impostos, já que a quantia entraria na conta da empresa e precisaria ser declarada.
A movimentação começou no dia 4 de março de 2024 quando Juliane Bastos fez a transferência única de R$ 200 mil ao empresário que aceitou receber o valor por Jackson.
Após o dinheiro chegar à conta do empresário, Jackson orientou como os valores deveriam ser distribuídos. Conforme o delegado, R$ 40 mil foram transferidos para a mãe de Jackson, enquanto R$ 115 mil foram utilizados para a compra de um veículo Mercedes-Benz que foi registrado em nome de um teceiro. O restante, cerca de R$ 26 mil, foi posteriormente transferido para a conta do próprio policial Jackson.
O empresário também informou a Jackon que R$ 15 mil ficariam retidos para o pagamento de tributos. Ao ser comunicado, Jackson respondeu que cobraria esse valor de Julinere. Posteriormente, segundo a investigação, Julinere fez pagamento direto de mais R$ 15 mil para Jackson, o que fez com que o total movimentado no contexto do crime chegasse a R$ 215 mil.

Diante das evidências, a Polícia Civil concluiu que se trata de crime de mando, caracterizado pelo pagamento para a prática de homicídio qualificado.
O crime
O advogado e ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery, foi executado na frente de seu esscritório na Avenida Fernando Corrêa da Costa, quando chegava para trabalhar, nas primeiras horas do dia 5 de julho de 2024.
Os autores do crime estavam em uma motocicleta e fugiram dando início a uma investigação de alta complexidade. As primeiras prisões só ocorreram meses depois e as investigações revelaram uma máfia de crimes por encomenda envolvendo policiais militares. Entenda a dinâmica do crime abaixo:
