A indústria têxtil e de confecção de Mato Grosso enfrenta perda de empregos, queda na produção e maior pressão dos produtos importados. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a cadeia fechou cerca de 20 mil postos formais de trabalho nos últimos 12 meses, em um cenário marcado também por consumo enfraquecido e juros elevados.
A entidade avalia que o fim do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50, nas condições previstas pelo programa Remessa Conforme, pode aumentar a pressão sobre empresas instaladas no país. O ICMS estadual continua sendo cobrado nessas compras, enquanto o Imposto de Importação é zerado para remessas dentro do limite estabelecido pelo regime.
Para a Abit, a medida cria uma diferença tributária entre produtos vendidos diretamente do exterior e aqueles comercializados por empresas brasileiras. A associação ressalta, porém, que as pequenas remessas não explicam sozinhas a redução da produção ou dos empregos, diante do avanço das importações convencionais e da oferta internacional.
A cadeia têxtil e de confecção está presente em mais de 60% dos municípios brasileiros e reúne mais de 25 mil empresas industriais com cinco ou mais empregados. O setor gera aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos e reúne atividades que vão das fibras naturais, artificiais e sintéticas à fiação, tecelagem, malharia, beneficiamento, confecção e varejo.
O cenário afeta especialmente pequenas e médias empresas, que lidam com custos elevados de crédito, energia, logística e infraestrutura. De acordo com a entidade, uma redução nos pedidos pode atingir fornecedores, facções, lavanderias, estamparias, transportadoras e estabelecimentos comerciais, reduzindo a renda e a circulação de recursos nos municípios onde a atividade tem maior presença.
As mulheres também estão entre as trabalhadoras mais expostas à retração, devido à participação expressiva na mão de obra da confecção. A Abit aponta que a redução da produção pode levar a menos turnos, contratos não renovados e menor oferta de trabalho e renda, sobretudo em cidades onde a indústria de vestuário tem peso relevante na economia local.
O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, defendeu regras equilibradas para a concorrência internacional. “O mundo vive uma reorganização do comércio e busca destino para sua capacidade produtiva excedente. O Brasil não pode responder oferecendo seu mercado e enfraquecendo uma cadeia que vai das fibras ao varejo”, afirmou.
Pimentel acrescentou que a entidade defende “comércio internacional com regras equilibradas, fiscalização, defesa comercial eficaz e igualdade tributária e regulatória para quem disputa o consumidor brasileiro”.
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