A Justiça Eleitoral montou duas seções na Aldeia Pavuru para atender eleitores de 21 aldeias da região. Ao todo, 405 indígenas votaram no local.
Para garantir que a votação ocorresse em uma região de difícil acesso, a operação começou antes mesmo do dia da eleição. As urnas eletrônicas foram levadas de avião até o Xingu no sábado (3). Cinco equipamentos foram transportados: dois destinados às seções e três mantidos como reserva.
Mesmo com as urnas instaladas dentro do parque, chegar ao local de votação ainda exigiu um longo deslocamento para alguns indígenas. Dependendo da aldeia de origem, o percurso pelo Rio Xingu levou entre seis e nove horas de barco.
Para os indígenas que participaram da votação, o deslocamento representou a oportunidade de escolher representantes e participar das decisões políticas do país.
Yauapi Kamayurá foi um dos que destacaram a importância desse momento.
“Entendemos que nesse momento a gente precisa escolher nosso representante que está lá no Congresso Nacional, e isso é nosso motivo para chegar até aqui”, afirmou.
Biometria agilizou votação
Nesta eleição, as seções instaladas na Aldeia Pavuru também passaram a contar com identificação biométrica. Segundo Adriano dos Santos, coordenador da operação, a tecnologia ajudou a tornar o processo mais rápido. Ele lembrou que, em uma eleição anterior, uma seção com cerca de 160 eleitores cadastrados ainda registrava votação depois das 17h.

Desta vez, mesmo com 405 indígenas tendo votado, por volta das 15h já não havia mais eleitores nas seções. “Ela acelerou a votação. Porém, algumas pessoas, pelas distâncias e por toda a dificuldade do Xingu, acabaram não comparecendo”, explicou.
Além dos eleitores, indígenas da própria região também trabalharam como mesários. Pitoga Makne Txikão foi um dos voluntários e ressaltou a importância da participação dos povos indígenas no processo eleitoral.
“O voto é direito de todos. A gente precisa ter nossos direitos também, ter reconhecimento, ter valorização. Então a gente precisa mostrar para o brasileiro que os indígenas também têm esse direito”, afirmou.

Votos foram transmitidos do próprio Xingu
A distância também exigiu uma operação especial depois que os eleitores deixaram as cabines de votação. Por causa das dificuldades de acesso à região, os dados registrados nas urnas foram enviados do próprio Parque Indígena do Xingu para agilizar a apuração.
Após o encerramento da votação, os mesários retiraram as mídias de resultado das urnas. Os arquivos foram lidos em um notebook e transmitidos por uma conexão interna da Justiça Eleitoral.
Segundo o técnico de urna Marilson Oliveira Correa, a transmissão foi feita por uma rede específica do tribunal. “Após o mesário retirar a mídia de resultados, nós recebemos essa mídia, colocamos num notebook, efetuamos a leitura dessa mídia e transmitimos diretamente por uma VPN interna para o Tribunal Superior Eleitoral”, explicou.
A transmissão remota já fazia parte da operação planejada pela Justiça Eleitoral para as seções do Xingu.
Para Lucio Koroenta, que também participou da votação, escolher os representantes foi uma forma de buscar espaço para as demandas dos povos originários.
“A importância de votar é exercer [o direito de escolher] um candidato que possa defender os direitos dos indígenas, que tenha projetos voltados aos indígenas, aos povos originários”, disse.
Mesmo com as dificuldades de deslocamento, 405 indígenas de 21 aldeias chegaram às duas seções instaladas na Aldeia Pavuru e participaram das eleições de 2026.
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