Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, que morreu no sábado (7) em Campo Grande, possuía medida protetiva contra o namorado e havia denunciado o companheiro por agressões. O histórico criminal do homem, que é um dos principais personagens nas apurações do caso, registra 19 processos judiciais entre 2020 e 2025.
De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, desse total sete processos são relacionados à violência doméstica, além de três ações criminais. Os demais registros são de quando ele ainda era menor de idade.
A jovem morreu após passar mal e apresentar convulsões. O caso segue em investigação para esclarecer as circunstâncias da morte.
Entre os episódios que constam nas investigações está uma denúncia de divulgação de vídeo íntimo sem autorização da vítima.
Segundo a apuração policial, no dia 19 de setembro de 2025, o denunciado teria publicado, utilizando um perfil falso no Facebook, um vídeo em que aparece mantendo relação sexual com Ludmila. A postagem foi feita no grupo “Galera da Manobra 67”.
A divulgação teria ocorrido sem o consentimento da vítima, o que configura crime previsto na legislação brasileira.
A polícia aponta que a publicação teria sido motivada por vingança após o fim do relacionamento.
À época, Ludmila chegou a publicar vídeos em suas redes sociais acusando o ex-namorado pela divulgação do material íntimo e relatando episódios de agressão.
No sábado (7), o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após a circulação de vídeos antigos em que a jovem relata violência durante o relacionamento.
Discussão e agressão antes do término
Conforme consta na investigação, o relacionamento entre os dois foi breve. No dia 13 de agosto de 2025, após uma discussão, o homem teria ordenado que Ludmila deixasse a residência onde estavam.
Durante o episódio, segundo o registro policial, ele passou a empurrar a vítima e a motocicleta dela para fora do imóvel.
Ao tentar impedir a ação, Ludmila segurou o batente do portão da casa. Nesse momento, o denunciado teria fechado o portão de correr sobre trilho, atingindo os dedos da mão direita da jovem. Após o episódio, Ludmila decidiu encerrar o relacionamento.
Medida protetiva
A vítima chegou a obter medida protetiva de urgência, prevista na Lei Maria da Penha. O último registro relacionado ao caso foi feito em 22 de agosto de 2025, quando a jovem denunciou o descumprimento da decisão judicial por parte do convivente.
De acordo com o boletim, o homem teria desrespeitado as determinações impostas pela Justiça para garantir a proteção da vítima.
A morte de Ludmila segue sendo investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que aguarda a conclusão de laudos periciais e outras diligências para esclarecer completamente as circunstâncias do caso.
A polícia afirma que nenhuma linha de investigação foi descartada.